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TURISMO NA BAHIA

Morro de São Paulo vazio? Taxa mais cara reacende debate após vídeos polêmicos

Com TUPA a R$ 70 e previsão de aumento para R$ 90, destino vive contraste entre números oficiais e percepção de quem está no local

Iarla Queiroz
Por
| Atualizada em

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Morro de São Paulo - BA
Morro de São Paulo - BA - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Praias com cadeiras sobrando, ruas sem o tradicional vai e vem de turistas e nenhum sinal de filas no atracadouro. O cenário que viralizou nas redes sociais durante o feriado de 1º de maio acendeu um alerta em um dos destinos mais consolidados da Bahia: afinal, Morro de São Paulo está mesmo esvaziando? O preço para entrar tem relação com a possível diminuição de turistas?

A resposta, pelo menos por enquanto, não é simples. De um lado, imagens e relatos de quem vive do turismo apontam queda no movimento. Do outro, dados oficiais indicam crescimento no fluxo de visitantes, mesmo após o aumento da Tarifa de Utilização do Patrimônio do Arquipélago (TUPA), que hoje custa R$ 70 e já tem novo reajuste previsto para R$ 90 a partir de julho.

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Vídeos mostram Morro fora do padrão

As imagens que circularam nos últimos dias, referentes ao último final de semana de feriado prolongado, destoam completamente do que se espera de um feriadão. Em vez de praias lotadas e ocupação máxima, o que se vê são espaços vazios, bares com mesas disponíveis e circulação tranquila nas vilas.

O contraste chamou atenção justamente por quebrar uma lógica histórica do destino, conhecido por operar no limite da capacidade em datas prolongadas.

Em nota a prefeitura de Cairu esclareceu o movimento turístico durante feriado afirmando que "que algumas imagens que circularam nas redes sociais durante o feriado do Dia do Trabalhador e que geraram repercussão sobre o fluxo turístico em Morro de São Paulo foram registradas às 6h da manhã, horário em que qualquer destino turístico, independentemente de sua ocupação, apresenta naturalmente baixo movimento nas ruas".

Além disso, reforçaram que "interpretações baseadas em imagens fora de contexto prejudicam a imagem de um dos destinos mais importantes da Bahia e impactam diretamente comerciantes e trabalhadores locais".

Comerciários sentem no caixa e apontam a taxa

Quem vive do turismo percebe essa diferença sem precisar de estatística.

Em entrevista ao portal A Tarde, um dono de pousada resume o que tem visto na prática. “Não está vazio de não ter ninguém, mas está muito vazio. Muito mesmo. Isso não é normal pra feriado”, confirmou.

Segundo ele, a mudança de comportamento do visitante aconteceu logo após o aumento da taxa. “Com R$ 50 já era difícil atrair, mas vinha gente. Quando passou pra R$ 70, foi instantâneo”, relatou.

A queda não está só na quantidade mas também na qualidade do consumo. “As pousadas não chegaram nem a 50% de ocupação. E como as diárias caíram, vem um público que consome menos. Isso afeta restaurante, passeio, tudo”, declarou

O relato expõe um efeito em cadeia: menos turistas, menor gasto médio e impacto direto na economia local.

Morro de São Paulo - BA
Morro de São Paulo - BA | Foto: Reprodução / Redes Sociais

De acordo com a Prefeitura de Cairu, a movimentação estava dentro do esperada para o período, tendo em vista uma baixa turística recorrente nos meses de abril e maio que marcam o início do outono e da baixa estação no litoral baiano, com queda natural de demanda observada em toda a região.

“Segundo dados oficiais da Secretaria Municipal de Turismo, o arquipélago recebeu 2.961 visitantes entre os dias 1º e 3 de maio de 2026. O número, embora inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando 3.138 pessoas estiveram no destino entre 1º e 4 de maio, reflete um cenário esperado para o início da baixa temporada, que historicamente afeta de forma semelhante todos os destinos do litoral baiano, incluindo Guaibim e Valença”, declararam.

“O dado também deve ser contextualizado em relação ao calendário: o feriado de Tiradentes, ocorrido semanas antes, entre 17 e 21 de abril de 2026, registrou 5.284 entradas, período de maior duração e tradicionalmente mais expressivo para o turismo na ilha”, afirmaram.

Prefeitura nega esvaziamento e chama cenário de “distorcido”

A gestão municipal de Cairu nega qualquer relação entre o cenário apontado por trabalhadores de Morro de São Paulo e o aumento da taxa de entrada.

Mais do que isso: sustenta que o desempenho de 2026 é, até agora, superior ao do ano anterior.

Segundo o secretário de Turismo de Cairu, Cláudio Brito, o primeiro trimestre registrou crescimento de 5,3% no fluxo de visitantes — o que representa cerca de 5 mil turistas a mais em relação a 2025.“Algumas ações estão sendo feitas para dizer que o Morro está vazio por conta da TUPA, mas isso não existe”, afirma em entrevista a A TARDE.

Na prática, isso significa que, mesmo com a TUPA já reajustada para R$ 70 desde dezembro, o primeiro trimestre foi dedesempenho acima do registrado quando a taxa ainda era de R$ 50.

Esse dado é central porque desmonta, na visão da prefeitura, a tese de impacto direto imediato da tarifa sobre a demanda. Outro ponto levantado pelo secretário é a sazonalidade histórica do destino.

De acordo com ele, abril, maio e junho sempre apresentam retração no fluxo turístico, independente de fatores externos. O secretário aponta que é o período pós-verão com menor concentração de férias e feriados fragmentados, o que naturalmente reduz a ocupação.

A expectativa da gestão é que abril feche com uma variação negativa de cerca de -1,5% em relação ao ano passado — índice considerado baixo e dentro da normalidade.

Além disso, o secretário contextualiza o próprio feriado de 1º de maio. Para ele, a queda foi resultante da distribuição dos feriados em 2026, que comparada a 2025 quando as datas comemorativas se conectaram e criaram um período mais longo de permanência, gerando a diluição do fluxo e reduzindo picos de ocupação.

Na prática, segundo o secretário, o destino recebeu entre 3 mil e 3.500 turistas por feriado — número que, embora menor visualmente, estaria dentro da média para esse tipo de configuração.

“Recebemos uma média de 3 mil a 3.500 turistas por feriado. O ano passado teve um movimento maior porque os feriados estavam emendados”, detalhou.

Os números do turismo

A prefeitura de Cairu compartilhou com a reportagem de A TARDE, dados oficiais, demonstrando um cenário que, à primeira vista, não confirma um esvaziamento estrutural, mas revelam oscilações.

Comparativo 2025 x 2026 (até abril):

2025

  • Total de turistas: 115.797
  • Arrecadação: R$ 4.785.625

2026

  • Total de turistas: 118.775
  • Arrecadação: R$ 7.690.900

Variação:

  • +2.978 turistas
  • Aumento expressivo na arrecadação

Detalhamento mensal de 2026:

  • Janeiro: 44.229 pessoas
  • Fevereiro: 29.438 pessoas
  • Março: 25.141 pessoas
  • Abril: 19.967 pessoas

Segundo Brito, a leve queda em abril já era esperada:

“Abril, maio e junho são meses historicamente mais fracos. A variação deve ser de cerca de -1,5%, algo insignificante”, declarou.

O crescimento no número de visitantes existe. E a arrecadação aumentou de forma significativa — impulsionada, principalmente, pelo novo valor da taxa.

Mas o detalhamento mensal mostra um movimento mais sensível:

  • Janeiro e fevereiro com alta demanda
  • Queda progressiva em março e abril

Esse comportamento, isoladamente, pode ser explicado pela sazonalidade. Mas, quando somado às imagens do feriado, cria uma leitura menos linear.

Detalhamento mensal de turistas em 2026
Detalhamento mensal de turistas em 2026

Perfil do turista reforça força do mercado nacional

O relatório mais recente do município ajuda a entender o comportamento da demanda:

  • 82% dos visitantes são brasileiros
  • 18% são estrangeiros (antes eram cerca de 8%)
  • 55% são mulheres
  • 68,16% têm entre 18 e 45 anos

A base do turismo segue sendo doméstica, com destaque para Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

A taxa no centro do debate

A TUPA, que subiu de R$ 50 para R$ 70 em dezembro, e chegará a R$ 90 em julho, é hoje o principal ponto de tensão.

O secretário defende o reajuste como necessário para manter serviços e estrutura. “A alta demanda eleva o custo da preservação ambiental, manutenção e gestão do destino", declarou.

Além disso, o município afirma que o valor poderia ser ainda maior, mas foi ajustado para manter a competitividade.

Já entre comerciantes, o sentimento é outro: o custo adicional virou um filtro imediato.

O que está acontecendo com o turismo em Morro de São Paulo?

Recentemente, Morro de São Paulo tem apresentado praias vazias e baixa ocupação durante feriados, contrastando com sua alta capacidade histórica. Embora alguns relatos indiquem queda na procura, dados oficiais mostram um crescimento no fluxo de visitantes em 2026.

Aumentar a Tarifa de Utilização do Patrimônio do Arquipélago (TUPA) afetou o turismo?

O aumento da TUPA, de R$ 50 para R$ 70, gerou discussão sobre seu impacto na visitação. Apesar dos sentimentos de comerciantes sobre a redução de turistas, a prefeitura afirma que a taxa foi ajustada para custos ambientais e, até agora, a demanda continua subindo em relação ao ano anterior.

Como está a acomodação e gasto dos turistas atualmente?

Com a ocupação abaixo de 50% nas pousadas e queda no consumo médio, o perfil dos turistas mudou. Muitos estão gastando menos, afetando diretamente a economia local, como restaurantes e passeios.

Qual é a previsão para os próximos meses em Morro de São Paulo?

A prefeitura espera uma leve queda no turismo nos meses de abril, maio e junho, considerando que historicamente são períodos mais fracos. No entanto, a expectativa é que a arrecadação e o número de visitantes se mantenham estáveis com novas estratégias.

Quem são os principais visitantes de Morro de São Paulo?

São, em sua maioria, turistas brasileiros (82%), com destaque para os estados da Bahia, São Paulo e Minas Gerais. A maioria dos visitantes tem entre 18 e 45 anos, refletindo um perfil jovem e nacional para o turismo na área.

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