PREÇO DO ADEUS
Prefeitura firma contrato milionário após enterros subirem 500%
Gestão municipal de Itapetinga quer terceirizar serviço funerário por quase R$ 400 mil

Após um pacote de atualizações tributárias implementado logo no início de 2025, quando a Prefeitura de Itapetinga, gestão de Eduardo Hagge (MDB), impôs reajustes que chegam a 500% sobre os serviços cemiteriais, a Prefeitura lançou, no último mês de março de 2026, um chamamento público com objetivo de credenciar empresas para prestar serviços funerários à população carente, com um valor total previsto de R$ 378.997,20.
O que chama a atenção é a falta de competitividade no processo. Até o momento, apenas a empresa 'Samuel Rodrigues Jacob Sousa Moreira" foi habilitada. O contrato prevê o fornecimento de urnas que variam de R$ 1.556,56 a mais de R$ 2.400 cada.


Explosão de valores
O levantamento dos novos preços revela um abismo em relação ao ano anterior. O sepultamento em cova rasa, que em 2024 custava R$ 50, saltou para R$ 200 (300% de aumento). Já o túmulo individual sofreu um reajuste de 400%, passando de R$ 300 para R$ 1.500.
Além do aumento, o Decreto nº 231/2025 instituiu a polêmica "taxa de permanência". As famílias devem pagar anualmente 50% do valor do contrato original para manter os restos mortais de entes queridos no local.
Caso o pagamento não seja efetuado, a prefeitura fica autorizada a realizar a exumação e retirada dos ossos.
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Estratégia
Opositores que criticam a lógica da gestão, afirmam que ao elevar as taxas de R$ 50 para R$ 200, o governo municipal inviabilizou o enterro para os mais pobres, criando uma demanda que agora vai ser suprida com dinheiro público repassado a uma empresa privada.
"Se as taxas tivessem sido mantidas em valores razoáveis, a própria arrecadação direta custearia o serviço. O prefeito criou um problema para vender uma solução cara", afirma um morador que preferiu não se identificar.
Revolta popular
Nos cemitérios locais, o clima é de indignação. O que antes eram momentos de silêncio e oração tornaram-se atos de denúncia.
Famílias revoltadas utilizam os próprios velórios para criticar a gestão de Eduardo Hagge, a qual mantém o argumento de que os valores não eram reajustados desde 2006 — omitindo, porém, a tabela praticada até dezembro de 2024.
A reportagem procurou a Prefeitura de Itapetinga e ainda aguarda resposta aos questionamentos.
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