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Diretora de quadrilha celebra reconhecimento: "Precisamos de apoio"

Mariete Lima é líder da quadrilha junina "Forró do ABC", que venceu Campeonato Estadual

Bianca Carneiro
Por Bianca Carneiro
Quadrilha Forró do ABC, em ensaio geral de 2023
Quadrilha Forró do ABC, em ensaio geral de 2023 - Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE

Expressão artística consagrada no Nordeste, as quadrilhas juninas são agora reconhecidas como manifestação cultural nacional. A lei, sancionada pelo governo federal e publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira, 24, no dia de São João, foi comemorada entre os quadrilheiros e quadrilheiras, entre elas, Mariete Lima, diretora da quadrilha junina "Forró do ABC", campeã do XV Campeonato Estadual deste ano.

“Recebi com muita felicidade essa notícia, a gente precisava desse apoio porque acredito que através dessa lei, as quadrilhas terão mais visibilidade, acho que vai abrir portas para apoios”, afirmou ela em entrevista ao programa Isso é Bahia, da A TARDE FM, desta quinta-feira, 26.

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E para que as quadrilhas continuem no “Avancê”, é preciso, de fato, investimento, alerta Mariete. Ela destacou que apesar da importância cultural e também social, o movimento vem perdendo força em Salvador ao longo dos anos.

“As quadrilhas estão acabando. Nas décadas de 80 e 90, tínhamos 104 quadrilhas, hoje nós só temos seis quadrilhas adultas e duas mirins por falta de apoio. Então, eu vejo com muita esperança essa nova lei, espero que tenha um olhar delicado e mais profissional para essa manifestação cultural que é nacional. Sem apoio, acaba”, diz.

Para a quadrilheira, a falta de patrocínio não é por causa de público, que segundo ela, costuma lotar as apresentações. Mariete destaca que o problema vem da pouca valorização do São João como festa, em detrimento ao Carnaval, por exemplo.

“Na nossa cidade, a valorização é mais para o carnaval. Os governantes e empresários precisam entender que o São João é muito mais forte do que o carnaval. A própria quadrilha hoje movimenta uma cadeia produtiva muito grande e tem um trabalho social muito importante”, diz.

“As quadrilhas estão acabando", alertou Mariete
“As quadrilhas estão acabando", alertou Mariete - Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE

Mas Mariete também lembra que as quadrilhas juninas seguem em atividade pelo resto do ano e não só no São João. Ela conta que para uma quadrilha funcionar, a logística pode incluir até mais de 100 pessoas.

Os grupos da Bahia estão em nível nacional, mesmo sem esses apoios, a gente consegue fazer um trabalho grandioso, um trabalho competitivo. Talvez, com mais apoio e ajuda possa realmente dar uma condição melhor aos nossos brincantes [...] Hoje temos dificuldade para representar o nosso estado em um campeonato fora daqui. A gente não tem transporte, ajuda de custo, alimentação. As quadrilhas tentam se manter organizadas através de amigos, dos diretores…Então, a minha esperança é que venham editais para ajudar. Hoje as quadrilhas juninas estão no nível das escolas de samba.

Mariete Lima - diretora do Forró do ABC
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