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PARDA OU BRANCA?

“Decisão injusta”, desabafa servidora do Itamaraty exonerada por banca

Flávia Medeiros, de 29 anos, não foi considerada parta pelos avaliadores

Ane Catarine
Por
Internacionalista Flávia Medeiro
Internacionalista Flávia Medeiro - Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Decisão injusta”. Esse é o posicionamento da internacionalista Flávia Medeiros, de 29 anos, exonerada do cargo de oficial de chancelaria do Itamaraty após uma comissão de heteroidentificação contestar sua autodeclaração racial como mulher parda em um concurso público.

A demissão foi assinada pelo secretário substituto de Gestão Administrativa do Itamaraty, Guilherme José Roeder Friaça, na última quinta-feira, 21, e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.

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“Fui exonerada menos de dois meses depois de tomar posse porque a banca de heteroidentificação me considerou uma pessoa de pele clara, cabelos lisos e traços finos. Isso é algo completamente em desacordo com a realidade”, desabafou Flávia em relato publicado nas redes sociais.

A internacionalista, que entrou na Justiça para tentar reverter a decisão, disse ainda viver um momento de insegurança financeira.

“Tenho insegurança quanto ao futuro. Não sei quando meu recurso será julgado. Me mudei de Vitória para Brasília, fiz inúmeros compromissos financeiros e hoje não tenho emprego por causa dessa decisão injusta”, afirmou.

Confira o relato completo:

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Veja a cronologia do caso:

  • 2023: Flávia Medeiros se inscreve no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty pelo sistema de cotas raciais, com autodeclaração como mulher parda;
  • 2024: A banca de heteroidentificação do Cebraspe rejeita a autodeclaração racial da candidata.

Após a reprovação, Flávia apresenta recurso administrativo, mas o pedido é negado pela organizadora do concurso.

Em seguida, ela aciona a Justiça Federal. Em primeira instância, consegue uma liminar favorável, que aponta inconsistências nos critérios adotados pela banca e autoriza a continuidade dela no processo seletivo;

  • 2025: Amparada pela decisão judicial, Flávia deixa o emprego em Vitória (ES) e se muda para Brasília para assumir o cargo no Itamaraty.
  • Abril de 2026: Após a confirmação da sentença de primeira instância, Flávia é oficialmente nomeada e toma posse como oficial de chancelaria.
  • Maio de 2026: A Advocacia-Geral da União (AGU) recorre ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) contra a decisão que garantiu a vaga. Dias depois, o Itamaraty publica no Diário Oficial da União a exoneração de Flávia.
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Tags

cotas raciais itamaraty

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