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DNA revela: Indígenas da América do Sul têm elo com povos da Oceania

Pesquisa da USP reconstrói rotas de migração na ocupação do continente

Isabela Cardoso
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Estudo analisou 128 genomas contemporâneos de povos como Karitiana, Suruí e Guarani
Estudo analisou 128 genomas contemporâneos de povos como Karitiana, Suruí e Guarani - Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

Ao menos três grandes ondas de migração marcaram a ocupação da América do Sul, e os indígenas da região possuem elos de parentesco com os povos originários da Oceania.

A descoberta, publicada na revista Nature, foi liderada pela cientista brasileira Tábita Hünemeier, da Universidade de São Paulo (USP), a partir da análise de DNA de fósseis e populações atuais de etnias como Karitiana, Suruí e Guarani.

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O levantamento aponta que, embora todos os primeiros habitantes das Américas descendam de um tronco ancestral comum (SNA), a diversificação ocorreu por meio de fluxos distintos:

  • A primeira onda: Possivelmente ocorrida há 15 mil anos, deixou vestígios em sítios como Lagoa Santa (MG) e no Chile.
  • A segunda onda: Há 9 mil anos, com grupos partindo da América Central. Seus descendentes incluem povos andinos, como os Quéchuas.
  • A terceira onda: Há 1,3 mil anos (Holoceno Tardio), sendo a principal responsável pela genética dos povos indígenas das terras baixas da América do Sul e do Caribe.

A análise de 128 genomas contemporâneos de povos como Karitiana, Suruí e Guarani permitiu identificar 1,4 milhão de variantes genéticas inéditas, evidenciando uma biodiversidade humana até então desconhecida pela ciência global.

O enigma da Oceania e o traço "Ypykuéra"

Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa é a confirmação da afinidade genética entre indígenas sul-americanos e povos da Australásia. Batizada de ancestralidade Ypykuéra ("ancestral" em tupi), essa assinatura de até 3% está presente no continente há mais de 10 mil anos.

Longe de ser um acaso, esse traço genético foi preservado por seleção natural, conferindo vantagens adaptativas aos povos originários, como o fortalecimento do sistema imunológico e melhorias nas taxas de fertilidade.

Cicatrizes genéticas da colonização

O estudo também documenta o "colapso demográfico" sofrido nos últimos 500 anos. Através do DNA, os cientistas rastrearam os impactos de epidemias, escravidão e violência colonial, que resultaram em isolamento populacional e fragmentação de sociedades.

Povos como os Karitiana apresentam altos índices de endogamia, uma marca biológica direta da destruição de seus modos de vida tradicionais após o contato com europeus.

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Tags:

América do Sul Ancestralidade indígenas

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