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DESCONTINUAÇÃO

Itaú anuncia fim de serviço no Brasil e pega funcionários de surpresa

Anúncio foi feito na quarta-feira, 27

Edvaldo Sales
Por
Itaú anuncia fim de serviço no Brasil e pega funcionários de surpresa
Itaú anuncia fim de serviço no Brasil e pega funcionários de surpresa - Foto: Divulgação

O Itaú anunciou o fim do segmento Emps+, serviço interno do banco voltado ao atendimento empresarial. A descontinuação da operação passou a valer oficialmente na quarta-feira, 27.

A ação da empresa deve impactar quase 400 funcionários ligados ao setor. Segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, apenas 50 trabalhadores serão mantidos e redistribuídos em dois novos projetos do banco.

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Os demais 350 funcionários precisarão buscar recolocação por conta própria dentro da instituição, sem um plano formal de transição apresentado pela empresa.

O sindicato afirmou que o banco não ofereceu pacote, comunicado oficial ou qualquer estrutura de apoio.

Internamente, o termo ‘High Performance’ passou a circular como possível parâmetro para seleção dos profissionais que permanecerão no banco, mas sem definição objetiva sobre metas ou indicadores utilizados na avaliação.

Trabalhadores direcionados ao segmento Pro

Uma parte dos trabalhadores do Emps+ está sendo direcionada ao segmento Pro. Porém, de acordo com o sindicato, esse caminho não é a melhor alternativa, pois há registros de demissões com menos de um ano de casa, sem avaliação formal, com a justificativa genérica de “baixa performance” ou “desalinhamento cultural”.

Também há críticas relacionadas às metas de desempenho impostas aos gerentes do segmento Pro, que, segundo relatos, chegam a exigir resultados equivalentes a 200% do Índice de Cumprimento de Metas (ICM) contratado para a área.

Outro ponto de reclamação envolve custos operacionais assumidos pelos próprios funcionários. O segmento exige que os gerentes utilizem veículo próprio, enquanto o valor reembolsado pelo banco para combustível estaria abaixo dos preços praticados no mercado. Aplicativos de transporte, segundo os relatos, não são autorizados pela instituição.

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Sindicato critica falta de transparência

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região diz que já denunciou em diversas ocasiões o "alto grau de subjetividade" do Evolui, o sistema de avaliação de performance do banco: mesmo os bancários que batem o ICM podem ser classificados abaixo do esperado.

A associação destaca que o rótulo ‘High Performance’ carrega o mesmo risco. “Sem critérios claros, torna-se uma justificativa elástica, moldada conforme os interesses da instituição”, afirma.

O clima de instabilidade também teria atingido cargos de liderança. Segundo relatos, gerentes gerais passaram a buscar vagas internas simultaneamente para tentar realocar suas próprias equipes dentro do banco.

A entidade de classe pontua ainda que a crise não se restringe ao Emps+. Há relatos de agências com 8 gerentes no quadro em que, entre afastamentos e férias, apenas 5 estão ativos, respondendo por uma carteira de mais de 15 mil clientes.

Próximos passos

Os dois projetos aos quais as 50 pessoas poderão ser direcionadas possuem características diferentes.

O primeiro já tem início previsto: o atendimento de transbordo da IA, em que bancários assumem os casos que o gerente virtual não consegue solucionar, deve começar ainda no fim deste mês, inicialmente com apenas três funcionários.

O segundo projeto envolve uma possível versão digital do segmento Pro, com previsão de aproximadamente 50 vagas para 2026.

O banco informou que haverá processo seletivo, portanto não se trata de uma transferência automática dos empregados.

O projeto ainda está em fase de estudo e não há confirmação definitiva. Para quem busca respostas imediatas, o cenário continua marcado por incertezas e promessas ainda indefinidas.

O que diz o Itaú

Em resposta ao Sindicato, o banco explica que os clientes do Emps+ estão sendo redistribuídos entre Pro, Pro-Smart e Emps (autoatendimento digital), e parte deles será atendida por um novo modelo chamado Pro Remota, destinado a clientes que serão atendidos digitalmente a partir de São Paulo.

O banco afirma ainda que Pro e Pro-Smart passarão a funcionar de forma integrada, com atendimento segmentado e limite de clientes por gerente, e que essa unificação não resultará em demissões.

Sobre os desligamentos em curso, a instituição afirma que não estão ocorrendo demissões e que os casos registrados decorrem exclusivamente de performance.

Além disso, o banco nega também que estejam acontecendo avaliações distorcidas para impedir realocações ou provocar demissões, e informa que não houve alteração na política de reembolso.

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