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Rio pagará até 4,5 mil a aluno com boas notas

Publicado segunda-feira, 24 de setembro de 2007 às 22:10 h | Atualizado em 24/09/2007, 22:10 | Autor: Agencia Estado
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A prefeitura do Rio se comprometeu a pagar até R$ 4,5 mil a estudantes da rede pública que obtiverem conceito muito bom (MB) nos últimos três anos do ensino fundamental. O decreto do prefeito Cesar Maia (DEM) que cria o chamado "mérito-escolar" foi publicado hoje, cinco meses após outra decisão polêmica, a ampliação do sistema de ciclos para toda a rede municipal, que hoje tem 750 mil alunos matriculados.



O principal objetivo do "bônus" é conter a evasão escolar, que chega a 5% no terceiro e último ciclo de formação, segundo a subsecretária de Educação, Rojane Calife Dib - no Rio, o ensino fundamental é composto por três ciclos de três anos. Além da gratificação em dinheiro, a prefeitura anunciou que "garantirá aos alunos agraciados preferência em estágios nos órgãos municipais, se eles prosseguirem os estudos em cursos profissionais ou superiores".



Os alunos do ciclo final que mantiverem desempenho considerado muito bom no final de cada período (inicial, intermediário e final) terão direito ao benefício, correspondente a dois salários mínimos. O "bônus" será dobrado quando ocorrer em todas a disciplinas. Neste caso, o aluno receberá o diploma de "mérito-máximo-escolar". Portanto, pode variar de 2 a 12 salários mínimos.



"Desespero"



Para o economista Cláudio Moura Castro, que foi chefe da Divisão de Política Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a decisão poderá ser "extremamente regressiva". Segundo ele, a experiência é nova, está começando a ser testada nos EUA, mas mesmo lá gera controvérsias. "A situação do Rio é tão ruim que não sei se partir para o vale tudo é melhor. Me parece uma solução de desespero. Eu não começaria por aí", declarou. "Quem já tem renda vai acabar sendo privilegiado."

Celso Niskier, que já integrou o Conselho Estadual e Educação e hoje é reitor da UniCarioca, disse considerar "bem-vinda" a iniciativa. Ressalvou, porém, o risco de o benefício gerar competição nas salas de aula. "É válida porque não devemos trabalhar só com punição, mas se o professor for visto como um instrumento de distribuição de renda, isso pode gerar competição." Para ele, o incentivo por meio de estágios já seria suficiente para melhorar a evasão.

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