Startup brasileira desenvolve tecido que inativa coronavírus

Fundador da empresa, Thiers Massami, identificou que tecnologia pode ter diversas outras aplicações

Publicado sábado, 09 de julho de 2022 às 10:59 h | Atualizado em 09/07/2022, 10:59 | Autor: Da Redação
Tecido é composto por fibras nanoestruturadas que se decompõem em um período bem menor do que os materiais utilizados comercialmente
Tecido é composto por fibras nanoestruturadas que se decompõem em um período bem menor do que os materiais utilizados comercialmente -

Após o início do desenvolvimento, em 2021, de um tecido biodegradável capaz de neutralizar bactérias e vírus, pesquisadores da startup Protech, de São Carlos, pensam inicialmente em um mercado óbvio para aplicação do material em tempos da pandemia de Covid-19: o de máscaras faciais protetivas.

Após participação no 20º Programa Pipe Empreendedor (Programa de Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia), o fundador da empresa, Thiers Massami Uehara, identificou, contudo, que a tecnologia pode ter diversas outras aplicações. As informações são da Agência Fapesp.

De acordo com o pesquisador, o tecido com elevada filtragem que estão desenvolvendo com apoio do Pipe (Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas) é composto por fibras nanoestruturadas que se decompõem em um período bem menor do que os materiais utilizados comercialmente, além de ter propriedade biocida (que mata organismos vivos).

O material é obtido por meio de nanopartículas de prata depositadas em fibras poliméricas em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro), produzidas por meio de uma técnica chamada de fiação por sopro em solução. Testes feitos no laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) indicaram que o material demonstrou ser capaz de eliminar o coronavírus.

Com base nas 100 entrevistas que realizaram durante o Pipe Empreendedor com profissionais da área da saúde, além de gestores e analistas de qualidade e inovação nos segmentos de cuidados pessoais e de equipamentos de proteção individual, os empreendedores da Protech mudaram o modelo Canvas de negócios da empresa Também chegaram a conclusão de que manterão o foco inicial de comercialização do produto para o segmento de máscaras faciais e aventais cirúrgicos.

De acordo com dados apresentados pelo pesquisador, antes da pandemia de covid-19, o mercado de máscaras cirúrgicas estava avaliado em US$ 3 bilhões, com produção anual média de 1,1 bilhão de unidades. No Brasil, movimentou em 2019 aproximadamente US$ 35 milhões com a comercialização de mais de 27,4 milhões de unidades de máscaras por ano.

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