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JULGAMENTO

STF pode decidir nesta quinta se jogos de azar seguem ilegais

Ministro indicou que deve votar para manter a criminalização dos jogos

Edvaldo Sales
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Ministro indicou que deve votar para manter a criminalização de jogos
Ministro indicou que deve votar para manter a criminalização de jogos - Foto: Freepik

O julgamento para definir se mantém a criminalização dos jogos de azar, como bingo, jogo do bicho e as máquinas caça-níqueis, vai ser retomada nesta quinta-feira, 6, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O julgamento foi suspenso após o início do voto do relator, ministro Luiz Fux, na quarta-feira, 5.

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Fux indicou que deve votar para manter a criminalização de jogos e demonstrou preocupação com o aumento e impacto da prática e também das apostas online, apontando que essa modalidade também terá que ser enfrentada pela Corte, uma vez que há uma captura da vontade das pessoas nessa atividade.

Os ministros analisam um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisões da Justiça do Estado que deixaram de aplicar a contravenção penal em casos de exploração de jogo de azar.

Os Juizados Especiais Criminais gaúchos justificam que a criminalização seria incompatível com os princípios constitucionais da livre iniciativa e das liberdades fundamentais.

O Supremo vai decidir se o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, editada em 1941, permanece compatível com a Constituição.

A lei fixa que estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele, é contravenção penal. A pena é de prisão simples de três meses a um ano, além de multa.

Fux ressaltou, no início do voto, que o julgamento não envolve a conduta do apostar, mas a exploração do jogo de azar.

“Representam a alta criminalidade”

Segundo o ministro, a exploração dessas atividades vai além das apostas, já que produzem efeitos, por exemplo, sobre organizações criminosas e sobre a saúde das pessoas. Além disso, o relator destacou que é preciso respeitar a vontade do legislador.

“Gostaria de saber de onde tiraram que a constituição não recepcionou [a lei da contravenção]? Não estamos falando dos jogos que se via na esquina. Estamos falando de caça-níqueis que representam a alta criminalidade”, disse o ministro.

Luiz Fux disse ainda que os jogos de azar alcançaram patamar inimaginável. “Todos que se pronunciaram [no julgamento], mencionam a evolução dos jogos de azar até o alcance das denominadas bets, que também tem efeitos gravíssimos”, pontuou.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o Supremo mantenha a punição à exploração dos jogos de azar e também da multa para apostadores.

“Que bens estão protegidos pela proibição? Não é apenas o patrimônio do próprio apostador, mas também a saúde, a possibilidade de o jogo levar ao risco do desenvolvimento de patologias de ordem psiquiátrica. A própria economia nacional fica afetada quando esse hábito do jogo se dissemina sem os cuidados”, ressaltou.

“Não é só apostador que sofre, mas sua família. Essa proibição, dado os riscos da jogatina exercida, sofre o apostador, a família, vizinhos, companheiros. Tudo isso está envolvido na proibição do jogo de azar. Aplicação de uma multa a quem está apostando também é legítimo por parte do legislador”, complementou.

Além de Fux, outros nove ministros precisam votar. A decisão tomada pelo Supremo terá que ser seguida pelas outras instâncias da Justiça. Ao menos, 2,7 mil processos aguardam a decisão do STF.

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