IMUNIZAÇÃO
SUS amplia proteção e passa a ofertar vacina Pneumo 20 para crianças
Imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria causadora de pneumonia grave e meningite


O Ministério da Saúde incluiu a vacina Pneumo 20 no Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante, que protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo — causadora de doenças graves como pneumonia e meningite —, já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças menores de 5 anos que ainda não completaram o esquema vacinal.
A estratégia nacional foi lançada oficialmente neste sábado (20), em São Paulo, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Novidade na rede pública, a vacina passou a ser o quarto imunobiológico incorporado para o público infantil durante a atual gestão.
Na rede privada, o imunizante pode custar mais de R$ 500 por dose. Desde maio, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 570 mil doses para todos os estados e a previsão é que, até o fim do ano, o volume chegue a 6,1 milhões de doses.
Leia Também:
Diferencial
O grande diferencial da Pneumo 20 é a ampliação da cobertura contra os sorotipos que mais causam a Doença Pneumocócica Invasiva (DPI), com destaque para os tipos 3, 6A e 19A, oferecendo uma resposta mais abrangente que as formulações anteriores.
O imunizante também protege contra a otite média, infecção no ouvido que pode evoluir para quadros graves e causar perda auditiva.
Impacto
Ao acompanhar o início da vacinação na capital paulista, o ministro Alexandre Padilha destacou o impacto do novo imunizante. “Estou muito feliz de a gente poder transformar essa vacinação em realidade. Eu pude ver as primeiras bebezinhas, com dois meses de idade, já sendo protegidas com essa vacina. Como ela é muito mais ampla do que a que a gente utilizava, vai proteger ainda contra pneumonia grave e contra meningite”, afirmou.
Alerta epidemiológico
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por doença prevenível no mundo.
No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos, o que representa uma taxa de letalidade superior a 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram contabilizados 616 casos e 188 mortes no mesmo período.
Além de reduzir a mortalidade, a imunização em larga escala deve gerar impacto econômico positivo, reduzindo os custos do SUS com internações hospitalares, leitos de UTI e o tratamento de sequelas. Padilha atribuiu o avanço dos índices ao esforço das equipes de saúde do país.
“O Brasil voltou a ser campeão mundial da vacinação e isso se deve aos profissionais de saúde e vacinadores. Em 2019 perdemos o título de País livre do Sarampo e recuperamos em 2024, chegando a 2025 com a maior cobertura vacinal dos últimos 9 anos”, declarou.
Regras de transição
A introdução da Pneumo 20 faz parte de uma transição gradual para a substituição das vacinas anteriores (Pneumo 10 e Pneumo 13). Além das crianças menores de 5 anos, o público-alvo inclui povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação, idosos a partir de 60 anos acamados ou institucionalizados, e pessoas com condições clínicas especiais atendidas pela Rede de Imunobiológicos para Pessoas em Situações Especiais (RIE).
Durante o período de transição, o esquema infantil será misto: as crianças receberão a primeira dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade, a segunda dose com a Pneumo 10 aos 4 meses, e o reforço novamente com a Pneumo 20 aos 12 meses.
O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço deve ser de 60 dias. Assim que os estoques da Pneumo 10 forem esgotados, o esquema passará a ser feito exclusivamente com a nova vacina.
Os pais podem acompanhar o histórico vacinal por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.


