DA FANTASIA À MORTALHA E AO ABADÁ
Da mortalha ao abadá: a evolução do traje no Carnaval de Salvador
Criador do abadá falou ao portal A TARDE sobre o resgate do tradicional na folia


A mistura do antigo com o novo e o resgate do tradicional têm se intensificado no Carnaval de Salvador. Neste ano, o Bloco Camaleão, por exemplo, fez uma releitura da primeira mortalha produzida para o bloco em 1986, assinada por Pedrinho da Rocha, criador do abadá.
O designer e publicitário participou do VIII Fórum do Carnaval de Salvador, na manhã desta quinta-feira, 21. Ao portal A TARDE, ele falou sobre o processo de mudança e evolução do abadá ao longo dos anos.
Leia Também:
Da fantasia à mortalha e ao abadá
Rocha lembrou que, nos anos 60, a folia tinha muita fantasia. “Eram fantasias complexas. Depois, no final dos anos 60, surgiu uma fantasia que quebrou com aquela antiga, que era muito prático de vestir e de fazer, que era a mortalha, que ficou até 1992 ou 1993, quando a gente oficializou algo que as pessoas já faziam”, disse.
A gente cortou a mortalha e batizou de abadá, e isso foi na Banda EVA, em 1993. No outro ano, todo mundo foi de abadá e a partir daí o ele foi diminuindo e hoje é uma camisa.
Pedrinho da Rocha - criador do abadá

Pedrinho pontuou que, para ele, que trabalha com criação, “houve um reducionismo muito grande, mas assim, o carnaval é isso, é liberdade”.
A fantasia seguiu esse caminho da liberdade, das pessoas improvisarem, customizarem.
Pedrinho da Rocha - criador do abadá
Resgate com o Camaleão
Em 2026, o Bloco Camaleão fez uma celebração especial. O abadá do primeiro dia do desfile foi uma releitura da primeira mortalha produzida para o bloco em 1986.
O modelo contou com algumas referências do design original, porém com elementos atuais, dialogando com o cenário atual da festa momesca e do próprio bloco, que é puxado pelo cantor Bell Marques.
“A primeira mortalha que eu criei para o Camelão foi no carnaval de 1986. Eu lembrei disso e esse ano eu quis fazer uma homenagem, mas com outra tecnologia. A gente até recebeu uma premiação”, celebrou.

Evolução
O profissional destacou que a fantasia acompanhou a música. “Quando eu comecei, as fantasias eram mais no estilo marinheiro, pirata, aquela coisa meio carnaval europeu. A gente vivia na época da marcha-rancho, depois começou o frevo, e a mortalha já ficou mais adequada”, explicou.
Pedrinho da Rocha detalhou ainda que quando surgiu o samba-reggae, o carnaval ficou mais “swingado” e a mortalha já não cabia mais. “O abadá veio casar com isso”, afirmou.
“Eu também percebo que hoje existe um retorno da fantasia em alguns lugares. Isso é muito legal. Eu vivenciei um carnaval que era a fantasia no sentido duplo, porque tinha a fantasia física e a da mente. O artista e o trio não eram os principais”, contou.

Segundo o designer, essa característica da folia também está sendo resgatada, com o Banho de Mar à Fantasia, por exemplo. “Muito legal isso porque tem mais uma opção. Tem pessoas que vão querer o carnaval com o trio, com o artista, que é maravilhoso, e tem outros que vão buscar esse resgate da fantasia”, complementou.
“Se a gente puder conviver com esses dois carnavais, eu acho legal. Porque vai ter um público para cada tipo de carnaval”, finalizou.


