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Paixão que atravessa gerações: de pai para filho no Muquiranas

Em meio a batuques e fantasias, Muquiranas mantém tradição de pai para filho no Carnaval

Andrêzza Moura
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Bloco Muquiranas no Carnaval de Salvador: tradição passa de pai para filho
Bloco Muquiranas no Carnaval de Salvador: tradição passa de pai para filho - Foto: Andrêzza Moura / Ag. A TARDE

No Carnaval de Salvador, histórias se repetem ano após ano, mas nunca são iguais. Entre fantasias, batuques e tradição, o Bloco Muquiranas segue como um dos maiores símbolos dessa herança afetiva que passa de pai para filho.

Nesta segunda-feira, 16, no Circuito Osmar, no Campo Grande, o bloco desfilou arrastando multidões ao som da banda Lá Fúria, comandada por Bruno Magnata. Mas, além da música e da irreverência, o que realmente move o Muquiranas são histórias como a de André Luiz Garcia Santos e do pequeno Miguel Lima.

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Aos 44 anos, André carrega no currículo 16 carnavais dentro do bloco. “Eu saio desde 2010, foi o meu primeiro ano, tenho 16 anos”, relembra.

A relação com o Muquiranas começou junto com o pai, hoje falecido. “Sempre meu pai saía também, foi ele que me trouxe para o bloco, e agora estou passando esse legado para meu filho, que certamente continuará de geração em geração”, explica André.

Hoje, é ele quem conduz a nova geração. Ao seu lado, vestido com a fantasia do bloco, estava o pequeno Miguel, 3 anos, vivendo o que o pai chama de “batismo” no Carnaval. A decisão de levá-lo para a folia nasceu do entusiasmo do menino.

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“Ele sempre pediu, via-me me arrumando e dizia: ‘Papai, também quero!’. Neste ano, tive a ideia de mandar fazer a fantasia dele. Desde cedo, ele já estava ansioso: ‘Bora, papai! Muquirana é Muquirana!’”, conta André.

Para ele, não se trata apenas de brincar o Carnaval. É sobre identidade, pertencimento e orgulho. “É o maior bloco do Brasil, né? Do mundo”, afirma.

A memória do pai, que também desfilava no Muquiranas, segue viva a cada ano. “Meu pai saiu há mais de 10 anos, infelizmente faleceu. Eu continuei e agora vou deixar essa tradição para meu filho também.”

A emoção se mistura à responsabilidade de manter a tradição. “Mas vou continuar vindo com o Miguel todos os anos, com fé em Deus. Hoje é o batismo dele”, declara André.

No meio da multidão que toma o Campo Grande, histórias como essa se multiplicam. No Muquiranas, a fantasia pode mudar, o tema pode ser diferente a cada edição, mas a paixão permanece intacta. E é assim que o Carnaval se eterniza: quando deixa de ser apenas festa e se transforma em herança — uma paixão que passa de pai para filho, embalada pelo som do trio e pelo orgulho de fazer parte de algo maior.

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As Muquiranas Carnaval de Salvador 2026 Circuito Campo Grande cultura baiana Histórias de Carnaval

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