Busca interna do iBahia
HOME > CINEINSITE

STREAMING

Assista hoje: nova série do criador de Breaking Bad foge do óbvio e surpreende

Obra entrega uma das histórias mais originais do ano

João Paulo Barreto | Especial A TARDE
Por João Paulo Barreto | Especial A TARDE
Nova série está disponível na Apple TV+
Nova série está disponível na Apple TV+ - Foto: Divulgação

“'O que você acha que vem a seguir no universo de Breaking Bad?', os executivos me perguntaram. Eu respondi: 'Talvez devêssemos fazer uma pausa nisso por um tempo. Talvez seja hora de seguir em frente...’ Eu queria ver se tinha outras histórias em mim que as pessoas gostariam. E era assustador. É assustador. Continua sendo assustador”.

O relato acima é de Vince Gilligan, roteirista, diretor, produtor e criador de uma das mais inventivas e inteligentes séries de TV que o mundo do entretenimento já viu. A série em questão chama-se Better Call Saul, e foi exibida entre 2015 e 2022, demonstrando um sopro de criatividade e inteligência dentro da dramaturgia televisiva. Fazendo-se valer de um desenvolvimento paulatino de personagens, criando uma ambientação na qual o silêncio em cena era valorizado como uma peça de dramaturgia (mas que fazia barulho na hora certa) e, claro, com um elenco afiado, a série derivada de Breaking Bad criada por Gilligan e Peter Gould, em certos momentos, gerava em seu espectador a possibilidade concreta de superar o produto original.

Tudo sobre Cineinsite em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Sim. Isso porque não somente Gilligan havia definido novos rumos para a escrita televisiva com Better Call Saul, ele também é o criador da série citada no diálogo acima, o marco criativo Breaking Bad. Após tamanho sucesso com as duas produções (sem contar o ótimo filme derivado de 2019, El Camino), executivos ativaram o modo “ganância e aposta fácil no sucesso em detrimento de um desgaste de ideias” e buscaram no criador de tais sucessos uma nova ordenha da mesma premissa. A negativa, dita de modo cavalheiro, veio não somente com a justificativa acima, mas com uma nova aposta alta na pergunta que Vince Gilligan fez a si mesmo sobre se possuía outras histórias que as pessoas viriam a gostar.

Leia Também:

SE LIGA NA DICA!

Essa série da Netflix é uma obra-prima do suspense e você precisa ver
Essa série da Netflix é uma obra-prima do suspense e você precisa ver imagem

SEMANA DO CINEMA

Cinema por R$ 10: promoção de ingressos começa em fevereiro
Cinema por R$ 10: promoção de ingressos começa em fevereiro imagem

POLÊMICA

Filho de Wagner Moura reage após boatos de apoio a Trump
Filho de Wagner Moura reage após boatos de apoio a Trump imagem

Tentáculos mentais

Três anos depois do final de Better Call Saul e repetindo a parceria com sua protagonista, a deslumbrante e talentosa Rhea Seehorn, o criador de Breaking Bad seguiu por um caminho totalmente oposto de narrativa: a ficção científica. E no melhor estilo clássico de Além da Imaginação. Na série Pluribus, ele imagina a chegada de alienígenas à Terra, mas não da forma que o cinema nos acostumou a ver. Nada de naves, explosões ou criaturas gosmentas. Nada na linha do clássico Invasores de Corpos (1978). A invasão, aqui, é literalmente mental. Pacíficas, as entidades cerebrais dominam quase todos os humanos, com exceção de um punhado de pessoas localizadas em diferentes partes do mundo.

Uma dessas pessoas é Carol Sturka, a escritora de pavio curto, desbocada e quase alcoólatra vivida por Seehorn. Diante da morte de sua esposa, que parece ter um derrame no momento da invasão mental alienígena, Carol passa a refutar todas as tentativas de aproximação daqueles supostos humanos que ainda possuem todos os traços individuais e físicos terráqueos, mas compartilham de um mesmo “cérebro”.

No caso, de uma mesma consciência geral que abrange os bilhões de seres humanos. Recebendo toda forma de conforto e gentilezas por parte daqueles novos "seres humanos", Carol responde sempre com agressividade, mas aos poucos vai cedendo a algumas daquelas benesses, mas sem nunca perder o foco da sua investigação sobre quais são as reais intenções daquela raça que dominou a Terra.

Imagem ilustrativa da imagem Assista hoje: nova série do criador de Breaking Bad foge do óbvio e surpreende
Foto: Divulgação

Um entre muitos

A palavra pluribus tem sua origem no latim e significa “muitos” ou “vindo de muitos”. Também conhecido por constar em notas dólar, na expressão “E Pluribus Unum” (Um entre muitos), o termo define bem a proposta de unicidade na narrativa da série. E visualmente, a direção de Gilligan, que divide tal função entre os nove capítulos com outros diretores que também comandaram episódios das suas duas séries anteriores, traduz de maneira imageticamente absurda a ideia de uma entidade mental que transforma toda a humanidade em um único ser racional.

O momento em que o alienígena decide abandonar a cidade de Albuquerque (sim, a mesma onde se passam as séries predecessoras de Gilligan) e todas as pessoas dominadas mentalmente evacuam a metrópole de uma só vez, cria justamente essa ideia de unicidade, com todos se movimentando como um cardume de peixes ou uma revoada de pássaros. Trata-se de uma das cenas de maior inventividade da série em sua proposta narrativa e visual envolvendo o domínio mental que o ser alienígena tem sobre humanos.

Mas quando essa sensação de curiosidade é sanada perante às respostas para as muitas perguntas que a série traz, o espectador atento passa a perceber-se diante de um tipo de narrativa diferenciada. Ao abordar as variadas maneiras como os humanos remanescentes e não dominados lidam com a situação, sendo alguns percebendo as mordomias e outros (apenas dois, na verdade) recusando-serem beneficiados com qualquer tipo de vantagem que aquela situação possa lhes trazer, a série se torna um estudo contundente sobre o comportamento humano diante do caos.

A partir dessa ideia, Pluribus faz valer todo o seu apelo cômico, criando as situações nonsense em momentos que envolvem desde o uso do Força Aérea 1, avião presidencial dos Estados Unidos, até a possibilidade de alguém se hospedar na suíte onde morou Elvis Presley (e fazer dela um harém, diga-se de passagem).

Carregando nos ombros o peso de uma atuação calcada muito em silêncios, Rhea Seehorn traz para a sua Carol Sturka um desespero latente. E suas expressões entregam justamente essa sensação. Sem apelar para a narração em voz over para guiar seu espectador, Gilligan foca nas ações de sua protagonista, que as desenvolve em silêncio, uma vez que não tem com quem conversar. A confiança no intelecto de seu público para seguir um fio condutor narrativo bem específico é palpável.

Em sua declaração sobre querer seguir outro rumo criativo após seus dois ápices de escrita com Breaking Bad e Better Call Saul, o roteirista e diretor falou sobre tal ação ser assustadora no sentido de tentar provar-se capaz de criar outra atração que atraia a atenção das pessoas.

Sim, necessitar dessa aprovação pode ser algo assustador, de fato. Mas, ainda bem, Vince Gilligan já não precisa há muito tempo desse selo.

"Pluribus" / Criação: Vince Gilligan / Com Rhea Seehorn, Karolina Wydra e Carlos-Manuel Vesga com a participação de Miriam Shor, Samba Schutte, John Cena e outros / Disponível na Apple TV+

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Better Call Saul breaking bad Pluribus Vince Gilligan

Relacionadas

Mais lidas