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CINEMA

Documentário revela histórias emocionantes de trabalhadoras domésticas

Filme reúne relatos que expõem memórias, conflitos e desigualdades

Beatriz Santos
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Documentário aborda a vivência de empregadas domésticas
Documentário aborda a vivência de empregadas domésticas - Foto: Divulgação

O documentário Aqui Não Entra Luz estreia nos cinemas brasileiros em 7 de maio reunindo relatos de mulheres que trabalham ou já trabalharam como empregadas domésticas em diferentes regiões do país.

Dirigido por Karol Maia e com distribuição da Embaúba Filmes, o longa parte de uma pergunta que atravessa toda a narrativa: “História de empregada doméstica não é uma história bonita de se contar. O que levou vocês a fazerem esse filme?”

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A resposta não é dada de forma direta, mas construída ao longo dos encontros da diretora com as personagens. Filha de empregada doméstica, Karol Maia percorre quatro estados brasileiros historicamente marcados pela escravidão, cruzando memórias pessoais com pesquisas sobre como a arquitetura foi pensada para segregar corpos e sustentar hierarquias.

Ao longo desse caminho, encontra mulheres que enfrentam esse legado e projetam outros futuros para suas filhas.

Entre elas está Rosarinha, de Minas Gerais, que relembra sonhos interrompidos ainda na infância. No Rio de Janeiro, Cristiane compartilha episódios difíceis e também momentos de mudança pessoal, como quando disse à patroa: “Eu quero conhecer o mundo, quero saber como o mundo é”.

Do Maranhão, Mãe Flor conduz parte da narrativa com leveza, entre relatos e canções. “Minha bisavó foi escrava, mas eu nunca fui”, afirma, antes de cantar “eu já rodei o mundo inteiro e não encontrei uma cabocla mais sabida do que eu”.

Na Bahia, Marcelina questiona uma expressão comum nas relações de trabalho doméstico: “Não gosto dessa frase ‘como se fosse da família’. Não sou da família. Me sinto desrespeitada”. A fala evidencia tensões presentes em vínculos frequentemente marcados por desigualdades.

Ao reunir essas vozes, o filme constrói um panorama que relaciona o trabalho doméstico a questões estruturais de raça, gênero e classe no Brasil. Sem estabelecer hierarquias entre as histórias, o documentário aposta na escuta como elemento central da narrativa.

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