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Esse filme premiado chega a Salvador com sessão especial; saiba mais

Diretor Akinola Davies Jr. apresenta longa inspirado na própria infância em exibições com debate na capital

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE
Por Rafael Carvalho | Especial para A TARDE
| Atualizada em

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Esse filme premiado ganha sessão especial em Salvador
Esse filme premiado ganha sessão especial em Salvador -

Desde que foi exibido na mostra paralela Um Certo Olhar, do Festival de Cannes ano passado, A Sombra do Meu Pai, filme de Akinola Davis Jr., vem ganhando reconhecimento e prêmios por onde passa.

Saiu do festival com menção do júri e ganhou o prêmio da Crítica na Mostra Internacional de São Paulo também ano passado.

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Agora, prestes a estrear comercialmente no Brasil (chega às salas no dia 30 de abril), o filme ganha sessões especiais em Salvador nesta segunda e terça-feira. O cineasta virá à capital baiana para apresentar o longa e conversar com o público.

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Hoje à noite a sessão é no Cine Glauber Rocha (a preço promocional), seguida de debate com o cineasta; e amanhã o filme ganha exibição no Espaço Cultural da Barroquinha (sessão gratuita) com direito a acompanhamento musical ao vivo, com as presenças dos compositores da trilha sonora, Duval Timothy e CJ Mirra.

Na trama, os irmãos Akin (Godwin Egbo) e Remi (Chibuike Marvellous Egbo), 8 e 11 anos, vivem com a mãe em um vilarejo afastado. Certo dia, são surpreendidos pela visita do pai, que não mora mais com eles.

Mais que isso, o pai propõe que os três partam em um passeio de um dia por Lagos. Começa, então, uma jornada de descobertas e reconciliações pela capital nigeriana.

Davies Jr. conversou com A TARDE para falar da obra, escrita em parceria com seu irmão, Wale Davies, um projeto bastante pessoal que carrega muitas de suas próprias memórias da infância.

“Acho que muito da nossa realidade, da nossa história familiar e pessoal, histórias que crescemos ouvindo, estão no filme”, pontuou o diretor. “O filho mais jovem tem o meu nome e supostamente minha personalidade, enquanto o mais velho representa meu irmão. Muitas das histórias que o pai conta no filme são baseadas na nossa família”.

Apesar disso, o diretor observou que o processo de ficcionalizar tais memórias abre outras brechas de criação. “A ficção nos ajuda a separar as coisas. Mesmo sendo uma história muito particular, quando você faz um filme, está trabalhando com muitas pessoas e elas também contribuem com suas histórias pessoais, incluindo-as na obra. Então, para mim, fazer cinema é realmente a separação entre o eu (o ego) e o coletivo”, ponderou o cineasta.

Imagem paterna

É a partir dessas memórias remodeladas que diretor costura a trama do longa. Pelos olhos das crianças, descobrimos a capital nigeriana, enquanto os garotos descobrem o próprio pai, seus afazeres e agruras, suas amizades e amores, ainda que pelas entrelinhas e pelos encontros cruzados.

“Eu carrego o nome do meu pai”, lembrou Davis Jr. Apenas a partir disso, é possível perceber como a ideia de recriar um encontro das crianças com a figura paterna é um tema caro para o diretor e seu irmão, eles que tiveram pouco contato com esse pai ausente.

“Quando você não tem acesso a algo, o cinema se torna o motor para a criação. Tornou-se o lugar para trazer nosso pai de volta à vida, para questionarmos a performance de masculinidade dele em comparação com a de outros pais”, acrescentou.

“Com isso, pudemos criar a nossa mitologia pessoal sobre a ideia de paternidade. Criamos nosso próprio sonho de uma conversa que gostaríamos de ter tido, um espaço onde pudéssemos falar sobre vulnerabilidade para homens negros ou para homens em geral”.

O pai (interpretado por Sopé Dirisu) caminha por Lagos junto com os filhos buscando as pessoas que lhe devem dinheiro. A dificuldade de ser remunerado dignamente pelo trabalho realizado é uma luta enfrentada por ele.

A força de vontade de um pai para sustentar mulher e filhos esbarra nas lacunas afetivas que sua ausência causa no seio familiar; esse mesmo pai tem um compromisso com as lutas sociais de seu país, mas será que vale o sacrifício?

Crise eleitoral

Em 1993, quando a trama se passa, a Nigéria realizava suas primeiras eleições presidenciais democráticas desde que os militares assumiram o país em sucessivos golpes de estado após a independência nos anos 1960. O pleito é comandado pelas forças militares e teme-se que eles anulem ou fraudem as eleições.

O processo de contagem dos votos e a tensa espera pelo resultado é o pano de fundo de A Sombra do Meu Pai, época em que o cineasta e seu irmão, de fato, vivenciaram quando eram crianças.

“Na época, a gente não entendia muito bem o que estava em jogo. Só sabíamos que havia uma grave situação política envolvida, a sensação de que algo muito importante e grande estava acontecendo”, afirmou Davies Jr.

Em alguma medida, os garotos refletem uma Nigéria desamparada e pouco assistida – não por capricho dos pais, mas por força das circunstâncias de um país tão brutal. Os irmãos pequenos que se reconectam com a figura paterna descobrem também uma Nigéria mergulhada em caos e esperança, um país de pai ausente, ainda que vibrante na movimentação das ruas, na luta diária do povo.

O filme lança sua cartada fatal ao afunilar cada vez mais os polos de conflito da narrativa, em que o pessoal e o público, o macro e o micro, se revelam mais conectados do que se imagina.

A estreia de A Sombra do Meu Pai faz parte do Ano Cultural Brasil/Reino Unido, temporada realizada pelo British Council, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa (IGR), e conta com o apoio do Governo do Reino Unido e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Sessão de ‘A Sombra do Meu Pai’

  • Quando: Segunda-feira, 20
  • Horário: 19h30
  • Onde: Cine Glauber Rocha
  • Com debate após a sessão com o diretor Akinola Davies Jr.
  • Preço: R$ 10 e R$ 5

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