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Filme de Bolsonaro pode ter sido quase 5 vezes mais caro que O Agente Secreto
Dark Horse pode ter ultrapassado o orçamento das maiores produções nacionais


Cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse está mais para um drama digno de novela mexicana. A produção entrou no centro de debates nesta quarta-feira, 13, após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmar que pediu para que Daniel Vorcaro financiasse o filme sobre o pai.
Documentos revelados pelo The Intercept Brasil, mostraram que Flávio e Vorcaro teriam negociado um aporte de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) para o filme. Pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
Embora o longa, dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, famoso por A Paixão de Cristo, seja tecnicamente uma produção norte-americana, o volume de recursos mobilizado o coloca em um patamar financeiro isolado quando comparado aos maiores sucessos do cinema nacional recente.
Dark Horse vs. O Agente Secreto
Para dimensionar o impacto desse valor, basta olhar para um dos grandes nomes da temporada: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Indicado em quatro categorias ao Oscar 2026 - sendo uma delas para o baiano Wagner Moura -, o longa teve um orçamento estimado em R$ 28 milhões, de acordo com dados do Metrópoles.
Na ponta do lápis, se consolidado em R$ 134 milhões, o investimento em Dark Horse seria 4,7 vezes superior ao custo total de O Agente Secreto.
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Mais baratos que Dark Horse
Ainda de acordo com o Metrópoles, o montante de R$ 134 milhões solicitado para o filme supera diversas obras que, até então, eram referências de "superprodução" ou alto investimento no Brasil:
- Ainda Estou Aqui (2024): O vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional custou cerca de R$ 45 milhões.
- Corrida dos Bichos (2026): Uma das animações mais ambiciosas do país, com orçamento de R$ 25 milhões.
- Nosso Lar (2010): Marco dos efeitos visuais no Brasil, realizado com R$ 20 milhões.
- Me Chame Pelo Seu Nome (2017): A aclamada coprodução internacional custou cerca de US$ 3,4 milhões (aprox. R$ 19 milhões).
- Lula, o Filho do Brasil (2010): Financiado integralmente pela iniciativa privada com R$ 17 milhões.
- Tropa de Elite 2 (2010): Um dos maiores fenômenos de bilheteria do país, realizado com aproximadamente R$ 16 milhões (incluindo distribuição).
Bastidores da transação
As investigações apontam que o fluxo de capital teria envolvido diálogos diretos entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. O filme pretende retratar a campanha de 2018 e o atentado em Juiz de Fora, com previsão de lançamento para 11 de setembro de 2026, período que coincide com o próximo ciclo eleitoral brasileiro.
Após a divulgação pela mídia, Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado apoio do banqueiro. Em nota divulgada após reunião de emergência da pré-campanha, ele afirmou que a relação com Vorcaro ocorreu exclusivamente para a busca de patrocínio privado para o filme Dark Horse. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”.
Na nota, Flávio diz ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. No entanto, ele voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. “Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, diz.


