Bahia: noite de Libertadores na Fonte Nova
Colunista tricolor Leandro Silva analisa estreia do Tricolor na fase de grupo da Libertadores e o futuro de Cauly

Hoje tem noite de Libertadores. Uma daquelas noites mágicas do futebol, como bem disse Ceni. Pouco mais de 36 anos depois, o Esquadrão volta a iniciar uma fase de grupos da competição, contra o mesmo Inter, de 21 de fevereiro de 1989, e próximo de completar a mesma quantidade de janeiros desde que o próprio Colorado encerrou a melhor participação tricolor na Libertadores, no dia 26 de abril, em 1989. Nada mais emblemático do que reencontrar o Inter nesse momento em que o Bahia segue caminho bem planejado para se reconectar com épocas de conquistas e grandes feitos. Para completar, domingo tem duelo contra o Santos, pouco mais do que 65 anos depois do primeiro Brasileiro.
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Foram quatro duelos contra o Inter naquela Libertadores e apenas no primeiro deles tivemos em campo o nosso camisa 8, símbolo da conquista do Brasileiro de 1988. Bobô atuou no Beira-Rio, dois dias após a conquista, no triunfo de virada, por 2 a 1, com gols de Gil e Zé Carlos, na estreia tricolor. No segundo encontro, ainda na fase de grupos, na Fonte, já havia sido vendido para o São Paulo. O 9, Charles, foi o autor do único gol do triunfo do dia 14 de março.
Nas quartas de final, o Esquadrão chegava com melhor campanha e com retrospecto recente muito favorável contra o Inter, mas uma derrota com gol solitário do uruguaio Diego Aguirre, no Beira-Rio, foi o bastante para que o Colorado levasse a vantagem do empate para a Fonte. Os gaúchos foram, então, beneficiados pela decisão de manter o jogo mesmo com a forte chuva que impossibilitava a prática de um bom futebol.
Mística do camisa 8 no Bahia
Chegou a hora de cobrar aquele 0 a 0 de 1989. Hoje, assim como naquele dia, o nosso camisa 8 provavelmente não será titular. Para que o jogo de hoje acontecesse, entretanto, Cauly teve importância fundamental ao sair do banco, na altitude de La Paz, para fazer grande jogada que iniciou o gol do empate contra o The Strongest, marcado por Willian José, no rebote.
Espero que possamos seguir vendo a nossa 8 com Cauly por muito tempo. Digo isso porque, durante essa semana, ganhou força o boato ou possível negociação sobre uma saída dele para o Botafogo, hoje treinado por Renato Paiva.

Torço pra que seja somente boato. Ele é um jogador com características únicas no elenco tricolor e, me arrisco a dizer, faria muita falta. Entendo, porém, que a torcida deveria adaptar a expectativa sobre ele, o enxergando como um importantíssimo jogador para o grupo, sem cobrar ou esperar protagonismo.
Apesar das críticas frequentes, Cauly tem tido grande importância na temporada, por mais que possua hoje status de reserva. Aliás, justamente por isso. Durante boa parte da campanha do título baiano, e também no Nordestão, em que o Bahia já está classificado, o camisa 8 foi o símbolo e a principal referência técnica da segunda unidade que disputou a maior parte desses jogos. Por isso, foi fundamental para o 51º estadual.
Com participação em 17 dos 20 jogos do elenco principal em 2025, ninguém atuou mais do que Cauly. Que ele siga nos ajudando, como seus 21 gols e 21 assistências, desde que chegou ao clube, mostram.
Crostruindo uma nova história
Hoje é dia, e noite, de curtir cada detalhe, cada instante, da experiência Libertadores, tornar o clima leve, para o Esquadrão, e cantar, vibrar e apoiar a cada minuto desse duelo histórico. Que possamos testemunhar essa nova história, de glória, sendo escrita, contando com a nossa participação efetiva. E que os jogadores nos deem orgulho e nos façam comemorar outro triunfo inesquecível.