Brasil x França testa ideias, não define favoritos
Tostão analisa desfalques, opções táticas de Ancelotti e critica clichês sobre resultados no futebol

Amanhã, contra a França, a Seleção Brasileira não contará com seis jogadores que, provavelmente, serão titulares na Copa: Alisson, Gabriel Magalhães, Éder Militão, Alex Sandro, Bruno Guimarães e Estevão.
Mesmo assim, os dois principais talentos ofensivos estarão em campo: Raphinha e Vinicius Junior, ambos em grande fase por seus clubes.
A estrutura de Ancelotti
Carlo Ancelotti deve manter a base recente:
- quatro defensores
- dois meio-campistas
- dois pontas que atacam e recompõem
- dois jogadores centrais mais avançados
Nesse desenho, Matheus Cunha atua vindo de trás, enquanto Vinicius circula livremente pelo ataque, principalmente da esquerda para o centro.
Falta definir o quarto homem ofensivo:
- Gabriel Martinelli pela esquerda
- ou Luís Henrique pela direita
Movimento e recomposição
Raphinha pode atuar aberto ou centralizado, alternando com Matheus Cunha. Os quatro homens de frente trocam constantemente de posição, dificultando a marcação.
Mas há um ponto crucial:
- os pontas precisam voltar para marcar
Sem isso, o time perde equilíbrio. Forma-se, quando bem executado, um quarteto no meio-campo protegendo a defesa.
Ancelotti quer Vinicius mais solto, sem obrigação defensiva constante. Se Raphinha jogar pela esquerda, também pode ter dificuldades na recomposição, já que no Barcelona atua mais por dentro, sem retornar tanto.
Brasil x França: estilos e talento
A França deve atuar com um trio no meio e outro no ataque. Não parece provável que Ancelotti repita esse modelo, a menos que tivesse meio-campistas do nível de Toni Kroos e Luka Modrić ao lado de Casemiro, como no Real Madrid.
As duas seleções têm características parecidas: dependem muito da velocidade e da capacidade de decisão de Kylian Mbappé e Vinicius Junior, especialmente nos contra-ataques.
Amistoso não define Copa
Se o Brasil vencer, não será automaticamente favorito ao título mundial.
Se perder, não estará descartado.
É apenas um amistoso.
Nas últimas décadas, o Brasil acumulou vitórias nesses jogos e fracassos em Copas. O objetivo não é vencer amistosos — é ser campeão do mundo.
Clichês e lugares-comuns
No Brasileirão, extremamente equilibrado, vitórias e derrotas estão separadas por detalhes, previsíveis ou não. Ainda assim, proliferam análises simplistas e explicações prontas.
Vitórias escondem problemas.
O São Paulo, antes das recentes derrotas, vinha vencendo mesmo com um time excessivamente centralizado — três no meio e três no ataque, sem jogadores pelos lados.
O Palmeiras explorou isso com inteligência, anulou o adversário e decidiu o jogo justamente por uma jogada lateral.
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