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Coluna do Tostão

Por Tostão

Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina
ACERVO DA COLUNA
Publicado domingo, 22 de março de 2026 às 5:40 h | Autor:

Craques, passes e o coletivo no futebol moderno

Tostão analisa o brilho das equipes europeias, valoriza o passe e critica a divisão ultrapassada do meio-campo no Brasil

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Harry Kane (C)em ação pelo Bayern de Munique em jogo contra o Atalanta
Harry Kane (C)em ação pelo Bayern de Munique em jogo contra o Atalanta -

No meio da semana, os jogos da UEFA Champions League foram belíssimos, com muitos gols e alto nível técnico. O Barcelona, como tem sido frequente, goleou o Newcastle United por 7 a 2, após um primeiro tempo equilibrado e cheio de oportunidades para os dois lados.

O talento dentro do coletivo

As grandes equipes europeias são fortes pelo conjunto, mas também porque possuem jogadores especiais, decisivos. No Barcelona, destacam-se Raphinha, Lamine Yamal e Pedri.

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  • No Real Madrid, brilham Kylian Mbappé, Vinicius Junior e Thibaut Courtois.
  • No Bayern Munich, Harry Kane e Joshua Kimmich.
  • No Paris Saint-Germain, Vitinha, Achraf Hakimi e Nuno Mendes.
  • No Arsenal, Declan Rice e Bukayo Saka.
  • No Liverpool, Virgil van Dijk e Dominik Szoboszlai.

Todos são protagonistas também em suas seleções e estarão entre os destaques do próximo Mundial.

Craques precisam de bons conjuntos. Mas também é verdade: raramente se forma um grande time sem grandes jogadores.

Valorizar além dos atacantes

É preciso valorizar mais goleiros, defensores e meio-campistas, não apenas artilheiros e dribladores. O sistema defensivo começa na marcação dos atacantes, assim como muitos gols nascem de passes iniciados lá atrás, até pelos goleiros.

O drible e o passe

O drible segue decisivo para superar defesas compactas. Mas não basta. Um craque precisa de mais: visão, passe, finalização.

Vinicius Junior e Lamine Yamal dominam o drible, o passe e a conclusão. Ambos executam com perfeição passes de curva, com a parte interna e externa do pé — a chamada trivela. A bola contorna o adversário e encontra o companheiro. Como disse Oscar Niemeyer: “A linha reta não sonha”.

Os mestres do passado

Garrincha driblava para frente e decidia com passes.

Roberto Rivellino dominava o elástico com precisão única.

Dirceu Lopes mudava de direção em velocidade, como se antecipasse o jogo.

Preferia dar passes a driblar, embora tenha sido o maior artilheiro da história do Cruzeiro, com 243 gols. Mais importante que o total é a média.

Gerson foi mestre do passe preciso.

Didi, o rei do passe de curva, jogava com elegância — o “Príncipe Etíope”, como o chamou Nelson Rodrigues.

O meio-campo moderno

Os grandes times europeus formam meio-campistas completos, como Rice, Pedri e Vitinha, capazes de dar passes rápidos e verticais, encontrando companheiros entre linhas.

No Brasil, ainda persiste a divisão ultrapassada entre volantes marcadores e meias ofensivos, como se apenas estes fossem responsáveis pelos passes decisivos.

O passe como símbolo

Desarme, drible, passe e finalização são todos essenciais. O gol decide, o drible encanta, mas o passe representa o coletivo, a união, a solidariedade em campo.

O Brasil precisa dar mais passes — e, talvez, olhar mais para o outro.

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