Craques, passes e o coletivo no futebol moderno
Tostão analisa o brilho das equipes europeias, valoriza o passe e critica a divisão ultrapassada do meio-campo no Brasil

No meio da semana, os jogos da UEFA Champions League foram belíssimos, com muitos gols e alto nível técnico. O Barcelona, como tem sido frequente, goleou o Newcastle United por 7 a 2, após um primeiro tempo equilibrado e cheio de oportunidades para os dois lados.
O talento dentro do coletivo
As grandes equipes europeias são fortes pelo conjunto, mas também porque possuem jogadores especiais, decisivos. No Barcelona, destacam-se Raphinha, Lamine Yamal e Pedri.
- No Real Madrid, brilham Kylian Mbappé, Vinicius Junior e Thibaut Courtois.
- No Bayern Munich, Harry Kane e Joshua Kimmich.
- No Paris Saint-Germain, Vitinha, Achraf Hakimi e Nuno Mendes.
- No Arsenal, Declan Rice e Bukayo Saka.
- No Liverpool, Virgil van Dijk e Dominik Szoboszlai.
Todos são protagonistas também em suas seleções e estarão entre os destaques do próximo Mundial.
Craques precisam de bons conjuntos. Mas também é verdade: raramente se forma um grande time sem grandes jogadores.
Valorizar além dos atacantes
É preciso valorizar mais goleiros, defensores e meio-campistas, não apenas artilheiros e dribladores. O sistema defensivo começa na marcação dos atacantes, assim como muitos gols nascem de passes iniciados lá atrás, até pelos goleiros.
O drible e o passe
O drible segue decisivo para superar defesas compactas. Mas não basta. Um craque precisa de mais: visão, passe, finalização.
Vinicius Junior e Lamine Yamal dominam o drible, o passe e a conclusão. Ambos executam com perfeição passes de curva, com a parte interna e externa do pé — a chamada trivela. A bola contorna o adversário e encontra o companheiro. Como disse Oscar Niemeyer: “A linha reta não sonha”.
Os mestres do passado
Garrincha driblava para frente e decidia com passes.
Roberto Rivellino dominava o elástico com precisão única.
Dirceu Lopes mudava de direção em velocidade, como se antecipasse o jogo.
Preferia dar passes a driblar, embora tenha sido o maior artilheiro da história do Cruzeiro, com 243 gols. Mais importante que o total é a média.
Gerson foi mestre do passe preciso.
Didi, o rei do passe de curva, jogava com elegância — o “Príncipe Etíope”, como o chamou Nelson Rodrigues.
O meio-campo moderno
Os grandes times europeus formam meio-campistas completos, como Rice, Pedri e Vitinha, capazes de dar passes rápidos e verticais, encontrando companheiros entre linhas.
No Brasil, ainda persiste a divisão ultrapassada entre volantes marcadores e meias ofensivos, como se apenas estes fossem responsáveis pelos passes decisivos.
O passe como símbolo
Desarme, drible, passe e finalização são todos essenciais. O gol decide, o drible encanta, mas o passe representa o coletivo, a união, a solidariedade em campo.
O Brasil precisa dar mais passes — e, talvez, olhar mais para o outro.
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