Entre memórias e dúvidas, seleção busca caminho ideal
Tostão relembra Copas vividas, analisa vitória sobre a Croácia e discute caminhos táticos para o Brasil

A Seleção Brasileira alternou bons e maus momentos na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia. O segundo gol, de pênalti, contou com a colaboração da arbitragem.
A principal novidade tática foi a presença de Vinicius Junior pela esquerda, sem obrigação de marcar. Essa função ficou com Matheus Cunha, como já faz no Manchester United.
O primeiro gol nasceu de um passe longo e preciso de Cunha para Vinicius, que driblou e serviu Danilo. Endrick, que entrou no segundo tempo, participou de dois gols. Luís Henrique e Matheus Cunha foram os destaques pela regularidade.
Memórias de Copas
Quero ver novamente o Brasil campeão do mundo.
Em 1958, com 11 anos, ouvi pelo rádio, em um bar do bairro, o primeiro título mundial. Em 1962, vibrei em casa, também pelo rádio. Em 1970, estava em campo — e, após o 4 a 1 sobre a Itália, joguei o restante da partida com lágrimas nos olhos.
Em 1994, assisti à final em Dallas, nos Estados Unidos, trabalhando como médico convidado pela TV Bandeirantes. Em 2002, no Japão, como colunista, acompanhei de perto o penta. Quase entrei em campo para comemorar, mas precisava escrever e enviar rapidamente a coluna.
Equilíbrio ainda distante
Após os amistosos, Carlo Ancelotti, torcedores e analistas ainda têm dúvidas.
O ideal seria o Brasil alternar, dentro do mesmo jogo:
- posse de bola e controle no meio-campo
- transições rápidas para explorar a velocidade ofensiva
Seria o cenário ideal. Mas falta qualidade no meio para executar essa ideia com consistência.
Reconhecer limites?
Contra grandes seleções, surge a questão: seria melhor o Brasil jogar mais recuado, compacto e apostar nos contra-ataques?
Foi assim em 1994, com Romário e Bebeto. Na época, o jovem Ancelotti era auxiliar na comissão da Itália.
Várias formas de vencer
Não existe um único modelo vencedor.
Em 2002, o Brasil jogou com três zagueiros, alas e um trio ofensivo com Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo.
Em 1970, atuou com quatro defensores, meio-campo forte com Clodoaldo, Gerson e Roberto Rivellino, e ataque com Pelé, Jairzinho e Tostão.
Estrutura semelhante teve o Brasil em 1958 e 1962, com Zagallo, Zito e Didi compondo o meio-campo.
O valor das dúvidas
Novas dúvidas ainda surgirão até a Copa — ou durante ela.
E isso não é um problema.
Uma das virtudes de Ancelotti ao longo da carreira sempre foi saber conviver com as dúvidas e transformar o complexo em simples.
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