Equilíbrio, pressão e ideias que moldam o Brasileirão
Tostão analisa as oscilações do campeonato, os caminhos táticos das equipes e a necessidade de evoluir dentro e fora de campo

O Brasileirão confirma, rodada após rodada, que as incertezas e variações nas atuações são naturais em um torneio com diferenças técnicas pequenas entre muitas equipes. Logo na primeira rodada, os três melhores colocados do ano passado não venceram: Palmeiras empatou, enquanto Cruzeiro e Flamengo perderam.
Funções, não apenas posições
Como Paquetá costuma atuar em zona próxima à de Arrascaeta, Filipe Luís pode utilizá-lo partindo do lado para o centro, como o uruguaio, ou escalá-lo mais centralizado, próximo de Jorginho. O futebol moderno exige jogadores capazes de circular entre setores, marcar e construir.
O dilema do Palmeiras
No empate contra o Atlético-MG, o Palmeiras manteve seu padrão eficiente: cruzamentos e lançamentos longos. A estratégia rende resultados, mas Abel Ferreira poderia alternar com maior domínio da bola e troca de passes para envolver o adversário. Para isso, conta com meio-campistas qualificados como Marlon e Andreas Pereira.
Como a marcação por pressão dificulta a circulação curta no meio, os lançamentos longos se tornaram recurso frequente no mundo inteiro — desde que não sejam a única ideia. Foi assim que saiu o gol de Vitor Roque.
O retrocesso do Cruzeiro
Na goleada sofrida para o Botafogo (4x0), o Cruzeiro repetiu um problema: marcação por setor sem pressionar quem está com a bola. Com Leonardo Jardim, a equipe era mais intensa, pressionava alto e recuperava a posse com rapidez. Sem isso, o time perde competitividade.
São Paulo e o papel de Marco Antônio
Após a vitória sobre o Flamengo, o São Paulo tem um caminho claro: usar Marco Antônio de uma intermediária à outra. Ele tem mobilidade, técnica e leitura para marcar, construir e avançar. Limitá-lo a um papel apenas ofensivo reduz sua influência no jogo.
Evoluir dentro e fora de campo
O futebol brasileiro pode crescer com a profissionalização dos árbitros, melhoria dos gramados e intercâmbio de treinadores e jogadores estrangeiros. Mas é essencial diminuir o tumulto constante em campo, muitas vezes incentivado também pelos treinadores. A crônica esportiva precisa evoluir junto.
O futebol além da tática
Escritores, poetas e jornalistas de outras áreas enriqueceriam a crônica esportiva ao falar de futebol sem vícios e clichês. O jogo não é apenas estratégia — é teatro, emoção e narrativa.
Armando Nogueira contava que assistia aos jogos ao lado de Nelson Rodrigues. Ao final, Nelson perguntava: “Quem foi o craque?”. Depois, escrevia textos repletos de exageros poéticos e metáforas inesquecíveis. O futebol também vive disso: imaginação, drama e arte.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
