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Coluna do Tostão

Por Rafael Tiago

Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina
ACERVO DA COLUNA
Publicado quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026 às 14:06 h | Autor:

Equilíbrio, pressão e ideias que moldam o Brasileirão

Tostão analisa as oscilações do campeonato, os caminhos táticos das equipes e a necessidade de evoluir dentro e fora de campo

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Carrascal, do Flamengo, e Arboleda, do São Paulo, em jogo do Brasileirão
Carrascal, do Flamengo, e Arboleda, do São Paulo, em jogo do Brasileirão -

O Brasileirão confirma, rodada após rodada, que as incertezas e variações nas atuações são naturais em um torneio com diferenças técnicas pequenas entre muitas equipes. Logo na primeira rodada, os três melhores colocados do ano passado não venceram: Palmeiras empatou, enquanto Cruzeiro e Flamengo perderam.

Funções, não apenas posições

Como Paquetá costuma atuar em zona próxima à de Arrascaeta, Filipe Luís pode utilizá-lo partindo do lado para o centro, como o uruguaio, ou escalá-lo mais centralizado, próximo de Jorginho. O futebol moderno exige jogadores capazes de circular entre setores, marcar e construir.

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O dilema do Palmeiras

No empate contra o Atlético-MG, o Palmeiras manteve seu padrão eficiente: cruzamentos e lançamentos longos. A estratégia rende resultados, mas Abel Ferreira poderia alternar com maior domínio da bola e troca de passes para envolver o adversário. Para isso, conta com meio-campistas qualificados como Marlon e Andreas Pereira.

Como a marcação por pressão dificulta a circulação curta no meio, os lançamentos longos se tornaram recurso frequente no mundo inteiro — desde que não sejam a única ideia. Foi assim que saiu o gol de Vitor Roque.

O retrocesso do Cruzeiro

Na goleada sofrida para o Botafogo (4x0), o Cruzeiro repetiu um problema: marcação por setor sem pressionar quem está com a bola. Com Leonardo Jardim, a equipe era mais intensa, pressionava alto e recuperava a posse com rapidez. Sem isso, o time perde competitividade.

São Paulo e o papel de Marco Antônio

Após a vitória sobre o Flamengo, o São Paulo tem um caminho claro: usar Marco Antônio de uma intermediária à outra. Ele tem mobilidade, técnica e leitura para marcar, construir e avançar. Limitá-lo a um papel apenas ofensivo reduz sua influência no jogo.

Evoluir dentro e fora de campo

O futebol brasileiro pode crescer com a profissionalização dos árbitros, melhoria dos gramados e intercâmbio de treinadores e jogadores estrangeiros. Mas é essencial diminuir o tumulto constante em campo, muitas vezes incentivado também pelos treinadores. A crônica esportiva precisa evoluir junto.

O futebol além da tática

Escritores, poetas e jornalistas de outras áreas enriqueceriam a crônica esportiva ao falar de futebol sem vícios e clichês. O jogo não é apenas estratégia — é teatro, emoção e narrativa.

Armando Nogueira contava que assistia aos jogos ao lado de Nelson Rodrigues. Ao final, Nelson perguntava: “Quem foi o craque?”. Depois, escrevia textos repletos de exageros poéticos e metáforas inesquecíveis. O futebol também vive disso: imaginação, drama e arte.

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