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CONJUNTURA POLÍTICA

O perfil eleitoral dos vereadores baianos

Coluna desta segunda-feira, 15

*Cláudio André de Souza
Por *Cláudio André de Souza
Câmara dos Vereadores de Salvador
Câmara dos Vereadores de Salvador - Foto: Divulgação / CMS

A eleição para governador não se restringe a uma decisão individual dos eleitores, mas envolve um processo mais complexo de mediação política e liderança de vereadores e prefeitos, que, afinal, são quem mais conhecem as lideranças de bairro, conflitos comunitários, circulação de obras, grupos sociais e familiares, assim como as demandas dos serviços públicos estratégicos na vida das pessoas.

Na ciência política, essa dimensão local ajuda a compreender por que a competição eleitoral não ocorre em terreno neutro, já que as máquinas municipais, as redes entre mandatos e bases sociais, assim como a agregação territorial da representação política nos leva, em especial, a ter que analisar o perfil dos vereadores eleitos em 2024, o que ajuda a dar condições preditivas para entender melhor a disputa a governador deste ano.

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A Bahia elegeu 4.593 vereadores em 417 municípios, distribuídos pelos 27 Territórios de Identidade. A força do PSD é emblemática, que lidera com 925 vereadores (20,1%) em todo o estado e aparece em primeiro lugar em 18 territórios em áreas estratégicas como o Sudoeste Baiano, Chapada Diamantina, Sertão Produtivo, Sisal, Irecê, Portal do Sertão, Recôncavo e Sertão do São Francisco. Em alguns territórios, sua vantagem é expressiva: chega a 35% dos vereadores na Bacia do Paramirim, 29,3% no Médio Sudoeste e 28,8% no Piemonte do Paraguaçu.

O Avante lidera em três territórios, Litoral Sul, Baixo Sul e Médio Rio de Contas, cumprindo função complementar ao PSD na força do governismo estadual. O PT, embora ocupe a terceira posição geral, com 428 vereadores, 9,3% do total, lidera apenas no Velho Chico, sendo que a sua força está menos na hegemonia isolada e mais na presença capilar em praticamente todo o mapa eleitoral estadual. Somados PT, MDB, PCdoB, PV, PSD e Avante, o núcleo principal da coalizão governista, chega a 2.439 vereadores (53,1%) em todo o estado.

A oposição liderada pelo União Brasil tem liderança territorial mais fragmentada, que aparece em primeiro lugar na eleição de vereadores no Território Metropolitano de Salvador, na Bacia do Rio Corrente e no Piemonte Norte do Itapicuru. O PP lidera na Bacia do Rio Grande e em Itaparica. Já o PL elegeu somente 62 vereadores, 1,35% do total, dado que dimensiona a fragilidade municipal do bolsonarismo na Bahia.

De maneira geral, o mapa dos vereadores revela a lógica da disputa estadual. ACM Neto precisa avançar no interior para reduzir a vantagem petista e dos aliados. O governismo chega a 2026 com ampla maioria de vereadores, dominando quase todos os territórios decisivos. A articulação entre prefeitos e vereadores é o fio condutor da organização e mobilização de pré-campanha do governador Jerônimo Rodrigues e um desafio permanente para ACM Neto.

*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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