Por que Bahia e Minas Gerais são vitais para Lula em 2026
Com Lula em alta na Bahia e desafios em Minas, levantamento redesenha corrida presidencial

A última pesquisa Genial/Quaest realizada no final de abril também monitorou o cenário presidencial, sendo que os resultados apontaram dois movimentos que se destacam na leitura dos dados: o enfraquecimento do presidente Lula nos estados do Sul e no centro do país, onde a desaprovação supera a aprovação, e a consolidação de uma base de resistência no Nordeste e em Minas Gerais, o que permite uma virada de chave na corrida pelo quarto mandato do petista.
Na Bahia, Lula alcançou 60% de aprovação e ficou no patamar de 33% de desaprovação, saldo positivo de 27 pontos, o segundo melhor desempenho entre os estados pesquisados, atrás apenas de Pernambuco.
A avaliação de governo acompanhou esta tendência com 45% dos entrevistados considerando o governo ótimo ou bom, contra 24% de avaliações negativas. No confronto de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula lidera com 55% a 22%, margem que se mantém estável desde 2018, quando o presidente teve 73% dos votos válidos.
Já Minas Gerais apresentou dados que impactam diretamente o cenário nacional. Lula alcançou uma aprovação de 44% e desaprovação de 54% no segundo maior colégio eleitoral do país, saldo negativo de dez pontos.
No segundo turno simulado contra Flávio Bolsonaro, porém, Lula lidera com 52% a 48% em votos válidos, invertendo a relação de aprovação. A rejeição a Lula em Minas é um fato, mas a rejeição ao bolsonarismo pode envolver um cálculo ligeiramente maior.
Vale lembrar que em 2022, Lula venceu no estado por uma margem mínima com 50,20% dos votos válidos. A pesquisa indica que o padrão pode se repetir em 2026, onde vivem 10,35% dos eleitores brasileiros.
Se analisarmos o posicionamento ideológico conseguiremos ter uma dimensão dos desafios. Na Bahia, 26% se identificam como lulistas e 16% como esquerda não lulista, totalizando 42% no campo progressista.
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Em Minas, lulistas e esquerda não lulista somam 29%, sendo que os bolsonaristas representam apenas 10% na Bahia e 14% em Minas. A polarização entre os mineiros pode favorecer uma corrida ainda maior pelo voto pragmático no segundo turno em uma batalha para saber quem será menos rejeitado.
O que é possível revelar neste momento, segundo as pesquisas, é o tamanho estratégico da intenção de votos válidos de Lula na Bahia (71%) e Minas Gerais (52%) como uma mecânica complexa de freio ao cenário negativo do Sudeste, o que dá um peso ainda mais relevante como serão os desempenhos dos palanques estaduais de Lula em dois dos quatro maiores colégios eleitorais do país.
Bahia e Minas podem ser decisivos novamente na eleição do próximo Presidente da República. No cenário baiano, Jerônimo Rodrigues larga como favorito a conquistar o sexto mandato consecutivo do PT no estado.
*Claudio André de Souza é professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]
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