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O lulismo na pesquisa Quaest

Cenário eleitoral na Bahia mostra Jerônimo Rodrigues em vantagem estratégica sobre ACM Neto

Cláudio André de Souza*
Por Cláudio André de Souza
| Atualizada em
Presidente Lula (PT)
Presidente Lula (PT) - Foto: Ricardo Stuckert | PR

A Genial/Quaest divulgou na semana passada a radiografia mais completa até aqui da corrida ao Palácio de Ondina.

O resultado confirma um empate técnico no primeiro turno, com ACM Neto em 41% e Jerônimo Rodrigues em 37%, diferença dentro da margem de erro de três pontos percentuais. No segundo turno simulado, a distância encolhe em uma disputa acirrada de 41% a 38%.

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À primeira vista, não há vantagem decisiva para nenhum dos lados, mas há questões estratégicas que colocam o governador Jerônimo Rodrigues com mais chances de levar o campo anticarlista a um recorde de seis vitórias consecutivas na Bahia.

O primeiro desafio de leitura que a pesquisa coloca para a oposição é que Neto chega mais fraco a 2026 do que chegou a 2022.

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Em fevereiro daquele ano, o ex-prefeito liderava com folga, enquanto hoje o empate técnico predomina desde a primeira pesquisa, sendo que o desenho político-partidário da sua chapa ganhou contornos explicitamente bolsonaristas com João Roma e o PL ocupando lugar estratégico no grupo, o que dificulta o caminho para o eleitor lulista marchar ao seu lado num contexto em que a polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo continua estruturando o voto.

O segundo desafio encontrado pela pesquisa está no governo Jerônimo. A aprovação de 56% foi recebida com alívio pelo núcleo governista, mas está longe de representar calmaria rumo à reeleição.

A avaliação positiva recuou de 39% para 37%, enquanto a regular subiu de 30% para 33% e a negativa avançou de 23% para 25%.

Segurança pública e saúde figuram como os maiores problemas do estado na percepção do eleitorado, duas agendas onde o governo ainda não conseguiu transformar entregas concretas em percepção positiva consolidada.

O desafio de Jerônimo é converter aprovação em intenção de voto, e para isso precisará avançar na melhora da avaliação qualitativa de sua gestão ao longo dos próximos meses.

O terceiro elemento que merece debate é o papel de Lula como preditor de votos na Bahia. A Quaest identificou que 26% dos eleitores são lulistas e 16% se dizem de esquerda não lulista, totalizando 42% do eleitorado no campo progressista.

Apenas 10% se declaram bolsonaristas e 9% de direita não bolsonarista. Não por acaso, 47% dos baianos querem que o próximo governador seja aliado de Lula, contra 15% que preferem um nome ligado a Bolsonaro.

Este cenário consolida o viés do lulismo como estruturante da disputa estadual e cria um imbricamento direto entre os cenários eleitoral e nacional.

Como adiantamos aqui neste espaço nas últimas semanas, talvez a primeira derrota eleitoral de ACM Neto em 2026 seja a tese de que dá para ser competitivo sem redobrar esforços de aproximação e diálogo com o eleitorado lulista da Bahia.

*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]

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