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Obras e autores baianos ganham destaque e catálogo inédito

Entrevista da Coluna July desta terça-feira, 21

Alexandra Isensee
Por Alexandra Isensee
Wesley Correia é escolhido embaixador do Catálogo Bahia de Todos os Livros 2025 e é referência da literatura baiana
Wesley Correia é escolhido embaixador do Catálogo Bahia de Todos os Livros 2025 e é referência da literatura baiana - Foto: Divulgação

O escritor, educador e agente cultural Wesley Correia foi escolhido como um dos embaixadores do Catálogo Bahia de Todos os Livros 2025, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (Secult-BA) que valoriza a produção literária do estado. Doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA e autor de "Laboratório de Incertezas" (Editora Malê), obra indicada ao vestibular da Uneb, ele fala sobre a homenagem, sua trajetória e a importância da literatura baiana.

O que significa para você ser escolhido embaixador do Catálogo Bahia de Todos os Livros 2025?

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Wesley - Recebi com grande alegria a indicação do meu nome como embaixador do Catálogo Bahia de Todos os Livros, uma iniciativa muito relevante da Fundação Pedro Calmon para o registro e organização da literatura baiana contemporânea.

De que forma essa homenagem dialoga com sua trajetória na literatura e na cultura baiana?

Wesley - Escrevo há pouco mais de 20 anos. Tenho transitado entre muitos espaços artísticos e literários, sempre reafirmando a importância de se garantir acesso aos bens culturais. Ser escolhido como um dos embaixadores do Catálogo Bahia de Todos os Livros, da Fundação Pedro Calmon, reafirma a importância central da literatura em minha vida, meu compromisso com a palavra, meu desejo de ver cada vez mais fortalecidas as políticas de incentivo à leitura e ao livro.

Qual é a importância de iniciativas como o Catálogo Bahia de Todos os Livros para a visibilidade da produção literária do estado?

Wesley - Creio que se trate de uma ação inédita na Bahia e no Brasil. Não lembro de ter visto outro material similar, com divisão por gêneros, e ainda contendo sinopses e informações técnicas das obras. O catálogo constitui importante fonte documental e de pesquisa.

“Laboratório de Incertezas” é uma das suas obras de destaque. Qual foi a inspiração para o livro?

Wesley - “laboratório de incertezas” é uma antologia poética, publicada pela editora Malê, e atualmente é uma das obras indicadas para o vestibular da UNEB. É um livro que resume um pouco a minha produção poética ao longo de duas décadas e que evidencia aquilo que considero como uma das minhas principais características: revelar o poema que mora no mais ordinário das coisas.

Como você enxerga o papel da literatura na formação crítica dos leitores hoje?

Wesley - A literatura, desde o século XIX, tem despertado a atenção dos leitores para temas diversos que dizem respeito às relações em sociedade: dramas sociais e individuais, comumente ligados às implicações do capital. A literatura oferece ricas perspectivas de análise da vida social porque a sua linguagem deriva dessa experiência tão diversa.

Que temas você considera centrais na sua produção literária?

Wesley - São muitos os temas que podem se apresentar em minha escrita. Aliás, eu posso dizer que, de certo modo, todos os temas me são tão caros quanto possíveis. Mas eu diria que a união entre a perspectiva filosófica e metalinguística é o que dá conteúdo a minha poesia. O que me inspira é a própria poesia da vida.

Qual é o papel da cultura afro-brasileira na sua escrita e no seu trabalho intelectual?

Wesley - sou um homem negro, nascido no recôncavo da Bahia, e iniciado no candomblé. Estudei literatura angolana no doutorado. Tudo o que eu escrevo vem desse ponto, do fato de ser um sujeito negro em trânsito, que observa o seu tempo, o seu espaço e, principalmente, a relação entre eles na produção de discursos.

Que conselho você daria para jovens escritores baianos que estão começando agora?

Wesley - primeiro, eu considero que o texto literário seja processual (requer muito trabalho e paciência) e que a sua forma conclusiva nunca esteja totalmente ou radicalmente fechada. Então, escritor(a) em início de carreira, leia bastante - não para copiar, mas para perceber os elementos que estruturam cada gênero - e escreva bastante, tendo a convicção de que o percurso, e não o fim, é o que verdadeiramente importa.

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