O desenvolvimento das regiões turísticas da Bahia
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O turismo baiano apresenta um dos desempenhos mais consistentes do Brasil, com crescimento acima da média nacional e forte retomada do mercado internacional. Em 2025, o estado registrou expansão de 8,9% na atividade turística e recebeu cerca de 9,4 milhões de visitantes na alta estação, movimentando R$ 23,7 bilhões. A demanda, entretanto, distribui-se de forma desigual entre as 13 zonas turísticas, revelando diferentes níveis de maturidade e capacidade competitiva.
As regiões altamente maduras concentram mais de 60% do fluxo. A Baía de Todos-os-Santos, liderada por Salvador, responde por 36,9% dos visitantes e possui infraestrutura completa, conectividade aérea internacional, ampla hotelaria e produtos consolidados em cultura, eventos e gastronomia. A Costa do Descobrimento (14,1%) e a Costa dos Coqueiros (10,1%) formam o núcleo do turismo de sol e praia, com aeroportos estruturados, serviços qualificados e forte presença de operadores nacionais e estrangeiros, constituindo os principais casos de sucesso do estado.
Em estágio intermediário, a Costa do Cacau, Costa do Dendê e Costa das Baleias combinam natureza, patrimônio cultural e resorts, mas ainda dependem de melhor integração logística e qualificação profissional para reduzir a sazonalidade. A Chapada Diamantina destaca-se no ecoturismo e aventura, com demanda crescente e boa reputação internacional, embora com limites de capacidade e necessidade de gestão ambiental mais rigorosa.
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As regiões emergentes — Caminhos do Sertão, Oeste, Sudoeste, Jiquiriçá, Lagos e Cânions e Vale do São Francisco — representam menos de 10% do fluxo total. Possuem ativos relevantes como enoturismo, turismo rural e experiências fluviais, porém carecem de conectividade, promoção e padronização de serviços. A discrepância territorial evidencia um modelo ainda polarizado no litoral, com baixo encadeamento produtivo no interior.
Os avanços recentes na malha aérea e na promoção internacional reforçam a competitividade baiana, mas o desafio central é diversificar a distribuição da demanda. A integração de roteiros, investimentos em infraestrutura regional e governança de destinos são decisivos para transformar áreas emergentes em polos sustentáveis, reduzindo a dependência dos três destinos líderes.
A Bahia reúne ativos excepcionais e governança ativa, mas seu futuro depende de equilibrar conservação e crescimento, qualificar experiências e ampliar a permanência do visitante. O estado caminha para consolidar-se como plataforma de múltiplos destinos, desde metrópoles culturais até paisagens sertanejas e vinícolas, desde que as diferenças de maturidade entre as 13 regiões sejam tratadas como prioridade estratégica.
*Diretor do Grupo Prima
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