Verão: movimentando a economia baiana
Confira a coluna Made In Bahia

O verão é, historicamente, um dos principais motores da economia baiana. Entre dezembro e março, o estado vivencia um período de intensa circulação de pessoas, recursos e oportunidades, impulsionado sobretudo pelo turismo, pelo entretenimento e pelo aumento do consumo típico da estação. Mais do que uma condição climática, o verão na Bahia configura um verdadeiro ciclo econômico, capaz de ativar cadeias produtivas inteiras e gerar impactos diretos e indiretos em praticamente todas as regiões do estado.
Dados do setor de turismo indicam que a alta estação responde por cerca de 35% a 40% do faturamento anual do segmento na Bahia. Apenas no verão, o estado costuma receber mais de 3 milhões de visitantes, entre turistas nacionais e estrangeiros, movimentando uma economia estimada em mais de R$ 8 bilhões, apenas no período carnavalesco. Esse fluxo reflete-se na hotelaria, nos bares e restaurantes, no transporte, no comércio, nos serviços e na economia criativa, com destaque para festas populares, shows e grandes eventos culturais.
Salvador concentra uma parcela expressiva desse impacto, especialmente durante o Carnaval, que sozinho pode injetar mais de R$ 6 bilhões na economia local, além de gerar centenas de milhares de empregos temporários. No entanto, o verão baiano vai muito além da capital. O Litoral Norte, com destinos como Praia do Forte, Imbassaí e Costa do Sauípe, registra taxas de ocupação hoteleira frequentemente superiores a 80% na alta temporada. Já no Sul e Extremo Sul, regiões como Porto Seguro, Arraial d’Ajuda e Trancoso vivem seu principal período de faturamento anual, sustentando pequenos negócios, pousadas familiares e uma ampla rede de trabalhadores formais e informais.
Os efeitos do verão também alcançam o interior do estado. Regiões como Chapada Diamantina, Baixo Sul e Recôncavo Baiano se beneficiam do turismo ecológico, cultural e gastronômico, ampliando a renda local e estimulando investimentos em infraestrutura, mobilidade e serviços. Estima-se que, para cada R$ 1 gasto diretamente pelo turista, outros R$ 0,60 sejam gerados de forma indireta na economia regional.
Além dos números, o verão fortalece a imagem da Bahia como destino global, atrai investimentos privados e impulsiona o empreendedorismo local. Valorizar, planejar e qualificar essa temporada é fundamental para transformar a força do verão em desenvolvimento econômico sustentável, com geração de renda, distribuição de oportunidades e impactos duradouros para todo o estado.
*Carlos Sergio Falcão- presidente do Business Bahia
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