Governo segue a Globo e aposta em novelas para repetir sucesso da Coreia
Colunista faz crítica sobre investimento da TV Brasil em teledramaturgia

Se tem uma algo que une os brasileiros é a paixão por novelas. Apesar disso, a teledramaturgia no Brasil sempre foi tratada como um produto estritamente comercial, principalmente pelo império construído pela Globo e seguido pelas demais emissoras privadas. A boa notícia, no entanto, é que isso está prestas a mudar.
Isso porque a TV Brasil sinaliza uma mudança de rota que merece ser celebrada como uma decisão estratégica do atual governo.
Por décadas, a TV pública brasileira ocupou um lugar de resistência documental e educativa, mas raramente se atreveu a pisar no terreno das paixões nacionais. Nos últimos dias, o anúncio de "Vambora", a primeira produção original da estatal, trouxe alegria para o mercado.
Vamos combinar uma coisa: ao investir R$ 15 milhões em um folhetim de 30 capítulos, o governo federal não está apenas fazendo entretenimento, mas finalmente entendendo que a novela é o nosso "esperanto".
Se o Brasil quer dialogar com o seu povo e projetar sua imagem no exterior, precisa falar a língua que o brasileiro entende. E tem língua melhor que a do folhetim?
A lição que vem da Coreia para o Brasil
É claro que vão surgir comentários questionando o uso de dinheiro público para produção de novela. Para quem acha que o uso de verba para essa finalidade é um "luxo", vale olhar para o outro lado do mundo.
A Coreia do Sul transformou sua economia e sua imagem global com o que chamamos de Hallyu, a 'Onda Coreana'. O governo de lá não apenas incentivou, mas estruturou o investimento em doramas e K-pop como pilares de exportação e influência política.

Hoje, o mundo consome a cultura coreana, os produtos coreanos e o turismo coreano porque se apaixonou por suas histórias.
O Brasil, que já tem o know-how de ser um dos maiores produtores de novelas do planeta, tem nas mãos uma ferramenta de poder de influência subutilizada pelo setor público. Agora é a vez da TV Brasil tentar criar o seu próprio "dorama tropical".
A novela "Vambora"
O acerto da estatal não é tentar copiar o modelo industrial da Globo, mas sim buscar uma identidade menos padronizada. "Vambora" surge com uma proposta binacional, aproveitando o universo lusófono para estreitar laços com Portugal e, possivelmente, com o mercado europeu e africano.
O roteiro tem sido pensado por Daniel Berlinsky, responsável pela versão de Dona Beja, que foi lançada neste ano pela HBO Max.
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