COMPORTAMENTO
Cientistas descobrem "alfabeto" usado por baleias para se comunicar
Estudo revela que as baleias cachalotes utilizam uma estrutura fonética complexa

Por Isabela Cardoso

Uma descoberta revolucionária está transformando a compreensão mundial sobre a inteligência animal. Pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e do Projeto CETI identificaram que as baleias cachalotes não apenas emitem sons, mas operam um sistema de comunicação altamente sofisticado.
Essa rede de cliques rítmicos funciona como um alfabeto fonético, sugerindo uma capacidade de troca de dados muito mais profunda do que a ciência supunha anteriormente.
A ciência por trás da "voz dos oceanos"
A análise de milhares de gravações permitiu identificar que esses gigantes marinhos organizam sua comunicação em unidades que funcionam de maneira análoga às vogais e ditongos da nossa linguagem. Em vez de emitir sons aleatórios, as cachalotes utilizam uma estrutura combinatória de cliques para formar mensagens distintas e contextuais.
O uso de Inteligência Artificial foi o diferencial para processar o imenso volume de dados acústicos, revelando que existe uma lógica gramatical subaquática por trás de cada interação nos grupos sociais.
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O que torna essa descoberta fascinante é a versatilidade das chamadas "codas". As baleias alteram a velocidade, o ritmo e a duração dos sons para criar novos significados. De acordo com o estudo, a estrutura baseia-se em três elementos fundamentais:
- A organização temporal precisa entre os cliques que define o sentido da mensagem.
- A duração total de uma sequência, que varia conforme o contexto da interação social.
- Pequenos cliques extras adicionados ao final de uma frase sonora, funcionando como modificadores de sentido.
Paralelos entre os cliques e a fala humana
A semelhança na complexidade estrutural surpreendeu a equipe internacional de cientistas. Assim como os humanos combinam letras para formar palavras e palavras para formar frases, as cachalotes agrupam cliques em blocos informacionais.
Essa "internet submarina" de dados muda completamente a nossa percepção sobre a senciência animal. Compreender que esses seres possuem ferramentas linguísticas para coordenar atividades complexas abre caminho para uma nova era de conservação e respeito pelas espécies.
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