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REFLEXÃO

Autor alerta para risco do uso da IA no âmbito cultural e artístico

Armando Avena vai lançar um livro sobre o assunto nesta próxima quinta-feira, 23

Edvaldo Sales
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Armando Avena vai lançar um livro sobre o assunto nesta próxima quinta-feira, 23
Armando Avena vai lançar um livro sobre o assunto nesta próxima quinta-feira, 23 -

O escritor, economista e professor da Universidade Federal Bahia (Ufba) Armando Avena vai lançar o seu novo livro ‘A Modernidade Caiu na Rede: A arte, a cultura e a economia no mundo da inteligência artificial’, nesta próxima quinta-feira, 23, às 17h, na varanda do Amado Restaurante, no Shopping Salvador.

A obra, que foi pré-lançada durante a Bienal do Livro Bahia no Centro de Convenções de Salvador, promete provocar reflexões e controvérsias sobre o papel da tecnologia na sociedade contemporânea.

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Em entrevista ao portal A TARDE, Avena abordou o risco de não ser mais possível separar o que é criação humana do que é sugestão de um algoritmo. “Esse é o grande risco quando o assunto é inteligência artificial, especialmente no âmbito cultural e artístico”, iniciou.

“A IA está cada vez mais presente no processo produtivo de bens e serviços, na indústria, na saúde, no setor financeiro, na logística, em tudo. Ela ainda precisa de prompts – instruções humanas – para funcionar. Só que está precisando cada vez menos. A IA generativa aprende as instruções e chega um ponto que não precisa mais delas”, alertou o autor.

Segundo ele, isso já embute uma pergunta inevitável: chegará o tempo em que o homem se tornará supérfluo? Para ele, “o mais grave, porém, é que no âmbito das artes a IA já faz tudo. Escreve, pinta, lê partituras, faz música e muito mais. E está se aperfeiçoando, copia o seu estilo e o estilo de qualquer escritor”.

A pergunta é se a autoria não está em risco, já que a IA escreve com base na obra de milhares de artistas. E, por isso, talvez possa ser mais original.
Armando Avena - escritor, economista e professor

Das fábricas ao TikTok

O livro começa com referências clássicas para construir sua linha de raciocínio. Pensadores como Charles Baudelaire e Karl Marx são utilizados como base para discutir o conceito de modernidade no século XIX, trazendo a "renovação" para a realidade tecnológica de hoje em dia.

A partir desse ponto, Avena defende que essa modernidade "caiu na rede" e deu lugar a uma nova configuração social.

“A vida é cada vez mais vivida no Instagram, no Tik Tok, nas redes sociais. Ela não se realiza mais quando você está no teatro, no cinema, na festa, no seminário. A realização só vem quando você posta o evento nas redes sociais e as outras pessoas dão o like e replicam”, refletiu o professor.

É na rede social que se vê a vida, que se discute os temas, a política , a arte e a cultura. É aí que criam tribos a defender ou atacar interesses arraigados. E é o paraíso da mentira, da inverdade, da farsa.
Armando Avena - escritor, economista e professor

De acordo com Avena, o mais grave é que as redes sociais e os aplicativos transformaram a vida em um negócio.

“Pagamos para ouvir música, para ver filmes, para armazenar nossas próprias fotos, para guardar nossos arquivos, para ter notícias, para encontrar parceiros, para trair nossos parceiros, para editar imagens, para não ouvir anúncios, tudo mediado pelas big techs. A sensação é que estamos num mundo narcisista, cujo mediador é o algoritmo e o objetivo final é business”, disse.

Ainda durante a entrevista à reportagem, Avena ressaltou que as fábricas representam um espaço delimitado de trabalho. “Você trabalha oito horas por dia e vai embora, recebe seu salário e o empresário produz o lucro. Depois seu tempo é dedicado a outras coisas. Mas isso está mudando”, afirmou.

“Hoje, boa parte do trabalho migrou para as redes sociais e aí as pessoas estão permanentemente e espontaneamente fabricando conteúdo ( post, vídeos, opiniões, lazer, etc) 24 horas por dia e, com isso, geram riqueza para as big techs. Se antes se explorava o trabalho, agora se explora a própria vida das pessoas”, destacou.

Segundo ele, boa parte da renda dos trabalhadores e dos empresários passou a depender da ação deles nas plataformas digitais: “Tudo precisa ser impulsionado, turbinado, gerar likes e visualizações. A vida monetizou-se. O amor, o lazer, a discussão política, tornaram-se business. Nessa nova modernidade, a vida foi monetizada pelas redes sociais ou através de aplicativos”.

Essas empresas estão recolhendo dinheiro no mundo inteiro. Não precisam mais de território. Elas criaram uma tecnologia para organizar o conhecimento acumulado por séculos e ganham trilhões de dólares com isso. Mas esse conhecimento é da humanidade, não de cinco ou seis empresas.
Armando Avena - escritor, economista e professor
Armando Avena
Armando Avena | Foto: Divulgação

Conversa entre Karl Marx e Dante Alighieri

No livro, Armando Avena coloca figuras como Karl Marx e Dante Alighieri para ‘conversar’ com o mundo de hoje.

“Marx foi um filósofo com uma contribuição enorme na análise do modo de produção de sua época. Quem lê a ‘A Modernidade Caiu na Rede’ vai ver que ele de alguma maneira previu o que está acontecendo, no que se refere ao conhecimento acumulado. E ver que ele teria imediatamente uma proposta para o mundo atual”, explicou.

Conforme ele, no livro, esses temas são vistos de forma literária. “O poeta Virgílio e Dante Alighieri trazem os pensadores da direita liberal para discutir porque a direita tornou-se antiliberal. ‘A Modernidade Caiu na Rede’ não é um livro acadêmico, é um pequeno livro composto de textos quase literários, fragmentos de crítica em tempo real, cujo objetivo é levantar a discussão sobre os temas que estão criando o futuro da humanidade”, explicitou.

Questionado se existe alguma maneira de usar a tecnologia sem deixar que ela controle a subjetividade humana, ele enfatizou que a academia, a sociedade e os estudiosos é que precisam desenhar os cenários que nos esperam.

“Posso dizer apenas que o poder da IA generativa é de tal magnitude que poderá redefinir não apenas a ordem social e econômica, mas a própria maneira como os humanos vivem na Terra. E o impacto nas artes, na música, na pintura, na cultura em geral será cada vez maior e tenderá a desestimular a autoria”, complementou.

Para ele, esse é o tema principal da atualidade. “É preciso discutir se, sob o signo da nova modernidade, aquela regida pela Inteligência Artificial, não estamos construindo um mundo em que a subjetividade humana, a capacidade de imaginar e criar abstratamente, perderá importância”, finalizou.

Quem é Armando Avena

Autor de 12 livros, Armando Avena é economista, jornalista e escritor, além de professor-doutor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro da Academia de Letras da Bahia e colunista do jornal A TARDE.

Entre suas obras anteriores, destacam-se romances como Luiza Mahin, Maria Madalena: O evangelho segundo Maria, Recôncavo e O Afilhado de Gabo. Seu livro O Manuscrito Secreto de Marx foi finalista do Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, em 2012.

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