KARL MARX CONHECE A INTERNET
Quem manda no conhecimento? Novo livro de Avena acende debate sobre IA
A obra será lançada em evento na próxima quinta-feira, 23, no Shopping Salvador

Você se lembra da última vez que consumiu arte 100% humana, sem influência da inteligência artificial? Mais que isso, você sabe o risco que essa presença massiva da tecnologia representa para o mundo subjetivo?
A varanda do Amado Restaurante, no Shopping Salvador, recebe na próxima quinta-feira, 23, às 17h, o lançamento de uma obra que promete provocar reflexões e controvérsias sobre o papel da tecnologia na sociedade contemporânea.
O escritor, economista e professor da UFBA Armando Avena apresenta seu 12º livro, "A Modernidade Caiu na Rede: A arte, a cultura e a economia no mundo da inteligência artificial", disponível para venda online desde a última quinta, 16, quando foi pré-lançado durante a Bienal do Livro no Centro de Convenções de Salvador.
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O livro
Com 101 páginas e publicada pela editora Caramurê, a obra reúne uma série de textos lítero-sociais que analisam o domínio das redes sociais e da inteligência artificial sobre diferentes esferas da vida.
Longe de um formato acadêmico tradicional, o livro adota um tom literário para tratar de temas complexos, sendo descrito como um conjunto de "fragmentos de crítica em tempo real", nos quais a análise crítica se mistura com a linguagem narrativa.
A ideia é simples: hoje em dia, poucas empresas de tecnologia passaram a controlar o conhecimento acumulado da humanidade e utilizá-lo conforme interesses financeiros e políticos.

Assim, a IA impacta arte, na cultura e na autoria, desestimulando a produção autoral, enfraquecendo a noção de autoria individual, redefinindo a produção cultural e impactando diretamente a economia criativa.
Segundo Avena, o problema não está apenas na tecnologia em si, mas no modelo de controle exercido pelas chamadas big techs, que passam a mediar o acesso ao conhecimento e à criação.
Das fábricas ao TikTok
O livro começa com referências clássicas para construir sua linha de raciocínio. Pensadores como Charles Baudelaire e Karl Marx são utilizados como base para discutir o conceito de modernidade no século XIX, trazendo a "renovação" para a realidade tecnológica de hoje em dia.
A partir desse ponto, Avena defende que essa modernidade "caiu na rede" e deu lugar a uma nova configuração social: "Se no século XIX a vida se vivia nas fábricas de Londres e nos bulevares de Paris, hoje se vive nos feeds luminosos do Instagram e do TikTok".

Essa nova realidade, segundo ele, é cada vez mais regulada pela inteligência artificial e pelas plataformas digitais.
Além das referências clássicas, o livro também dialoga com autores contemporâneos que estudam os impactos das tecnologias digitais, como Byung-Chul Han, Christian Fuchs e Franco Berardi.
Encontros imaginários
A reflexão, no entanto, não é construída do jeito comum. Em vez de apenas argumentar, o autor utiliza recursos narrativos e criativos, como encontros fictícios entre personagens históricos.
No livro, por exemplo, Dante Alighieri reúne pensadores liberais para discutir a ascensão da direita no século XXI, enquanto Karl Marx afirma que a inteligência artificial não é uma novidade e pode se tornar a "mãe do socialismo".

Assim, figuras históricas "conhecem" o mundo atual, dialogando e, claro, criticando em partes as tecnologias da nova realidade.
Quem é Armando Avena
Autor de 12 livros, Armando Avena é economista, jornalista e escritor, além de professor-doutor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro da Academia de Letras da Bahia e colunista do jornal A TARDE.
Entre suas obras anteriores, destacam-se romances como Luiza Mahin, Maria Madalena: O evangelho segundo Maria, Recôncavo e O Afilhado de Gabo. Seu livro O Manuscrito Secreto de Marx foi finalista do Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, em 2012.
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