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Da Bahia à Muralha da China: a histórica jornada de 108 jovens músicos do Neojiba

Orquestra brasileira fará a maior turnê da história na China

Priscila Dórea
Por Priscila Dórea

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Projeto levará o som da Bahia às salas de concerto de Pequim, Xi’an, Tianjin e Shenzhen, no período de 29 de abril a 5 de maio
Projeto levará o som da Bahia às salas de concerto de Pequim, Xi’an, Tianjin e Shenzhen, no período de 29 de abril a 5 de maio -

Sob o brilho da juventude e a força da música, 108 jovens baianos do Neojiba – Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, uma política pública prioritária do Governo do Estado – atravessaram oceanos para escrever um capítulo histórico: a maior turnê de uma orquestra brasileira na China. Entre nervosismo, expectativa e alegria, eles levam o som da Bahia às salas de concerto de Pequim, Xi’an, Tianjin e Shenzhen entre 29 de abril e 5 de maio, transformando disciplina e talento em passaporte para o mundo.

Mais do que representar o Brasil, os músicos mostram que a arte pode romper barreiras sociais e se tornar ponte de orgulho e esperança. “É um desafio inédito, de enorme responsabilidade e profundo significado artístico e simbólico. A maioria desses jovens iniciou sua formação em contextos sociais desafiadores e hoje sobe aos palcos mais prestigiados do mundo em igualdade de condições com as grandes orquestras profissionais. Isso exige preparação técnica, disciplina coletiva e maturidade artística do mais alto nível, comparáveis às dos principais conjuntos sinfônicos internacionais”, afirma o fundador e diretor-geral do Neojiba, Ricardo Castro, que é pianista, maestro, educador e líder cultural de reconhecimento internacional.

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O maestro pontua que a adaptação cultural dos membros da orquestra, assim como a resistência física necessária ao longo de uma turnê intensa e a manutenção de um padrão constante de excelência, são os principais desafios. “Mas, mais do que representar a Bahia ou o Brasil, esses jovens representam uma ideia: a de que a música é um instrumento real de transformação, e que o acesso à excelência não pode ser privilégio de poucos”.

Na Orquestra Neojiba há cerca de seis anos e em sua terceira turnê internacional, Ana Júlia Couto, de 24 anos, toca contrabaixo acústico, e conta que, entre a intensidade dos ensaios, o nervosismo pela turnê e a saudade da família, as expectativas estão lá em cima. “A preparação é intensa e todo dia tem uma novidade. É a primeira vez que o Neojiba vai para a China, então é algo novo para a produção também, mas estamos confiantes de que vamos fazer um bom trabalho e alegres por representar o Brasil mais uma vez. Hoje moro em Campinas de Brotas, em Salvador, mas sou de Simões Filho e meus pais agora moram em Governador Mangabeira, então a logística é complicada e a saudade bate forte às vezes. Minha mãe é a minha maior fã, acompanha todos os posts e eventos. Meu pai também vê tudo, mesmo sem rede social. Quando eu disse que iria para a China, foi uma emoção enorme”, conta a jovem.

Assistente de regência e graduando em regência na UFBA, Breno Albuquerque, de 22 anos, que mora na Pituba, toca violino e viola, e ressalta que nessa turnê, principalmente por ser inédita, a preparação física e mental foi ainda mais intensa. “É cansativo, tanto mentalmente quanto fisicamente, mas realmente acredito que teremos resultados muito bons. Essa é a minha quarta turnê internacional e minha sexta viagem com o Neojiba, e a expectativa é sempre muito alta. Queremos fazer bons concertos para que sejamos convidados novamente e para que as próximas gerações também tenham essa oportunidade. Além disso, toda essa preparação não fica somente na viagem. Evoluímos muito todos os dias e no pós-turnê, os benefícios são muitos”, afirma.

O impacto da intensidade das turnês, explica Ricardo Castro, é profundo e duradouro. “Do ponto de vista musical, apresentar-se em grandes salas, com acústicas de altíssimo nível e diante de públicos exigentes, eleva dramaticamente o nível de escuta, de consciência sonora e de responsabilidade artística. É uma experiência formativa que toda orquestra deveria proporcionar aos seus músicos”, explica.

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Horizontes ampliados

Já no plano pessoal, a turnê amplia horizontes, fortalece a autoestima e consolida valores como disciplina, cooperação e resiliência. “Muitos desses jovens compreendem, pela primeira vez de forma concreta, que pertencem ao cenário internacional e que são capazes de atuar nele com excelência”, afirma o maestro. “A transformação acontece no momento em que esses jovens percebem que o mundo lhes pertence", afirma a diretora de Desenvolvimento Institucional do Programa Neojiba e diretora geral do Instituto de Desenvolvimento Social pela Música (IDSM), Fernanda Tourinho.

“Muitos vêm de realidades onde os horizontes são limitados por barreiras sociais. Ao cruzarem o oceano para se apresentarem em grandes salas de concerto do mundo, essa barreira cai. Eles não voltam apenas como músicos melhores, voltam como cidadãos globais, com a autoestima fortalecida e a certeza de que o talento deles, cultivado com disciplina, tem valor universal. É a democratização do acesso à beleza e ao conhecimento”.

Esta turnê, ressalta Fernanda Tourinho, “é um marco diplomático e cultural”, pois a China é hoje um dos maiores palcos do mundo para a música de concerto. “Levar a sonoridade brasileira, com o tempero e a identidade da Bahia, para o outro lado do planeta consolida nosso trabalho na busca da excelência. Representa a prova de que a música de concerto produzida aqui possui um rigor técnico e uma alma únicos, capazes de dialogar com qualquer cultura, elevando o nome da Bahia a um patamar de prestígio global. Mas ninguém faz um projeto desta magnitude sozinho. O apoio do Itamaraty foi fundamental para a chancela diplomática e o suporte logístico internacional”, afirma.

Parceria

E, claro, esse é o Ano Brasil-China, o que contribuiu para a grande aproximação do Ministério das Relações Exteriores com esta importante política pública do Governo da Bahia. “Parcerias com empresas como a BYD demonstram a importância da responsabilidade social corporativa. Não é apenas o financiamento de uma viagem, é investimento no desenvolvimento humano e na construção de pontes sólidas entre as duas nações", aponta a diretora. De acordo com Tyler Li, presidente da BYD Brasil, a ação representa o início de uma relação duradoura da empresa com a orquestra. "A Bahia é um lugar onde a cultura pulsa forte e, para nós, é motivo de orgulho contribuir para que essa riqueza cultural atravesse oceanos”, afirma.

Em sua terceira turnê pelo Neojiba, a percussionista Amanda Rodovalho, de 21 anos, ressalta que essa turnê para a China está levando a orquestra para algumas das melhores salas de concerto do mundo.

Expectativas

“Para mim é gratificante, nunca imaginei chegar a esse ponto. Estou nervosa e muito feliz”, afirma ela, que mora na Liberdade. “Estamos com as expectativas lá em cima, sabe? Na China, os concertos estão sendo vendidos como 'noite carnavalesca', o que nos deixa ainda mais animados e chocados também, porque estamos vendendo nossa imagem. Estou muito feliz pela oportunidade de tocar nessas salas. É maravilhoso”, afirma a jovem, animada.

Quanto às músicas que serão apresentadas na turnê, a escolha foi pelo equilíbrio entre obras do grande repertório sinfônico internacional e peças que expressem com autenticidade a identidade brasileira e, em especial, a energia e a diversidade cultural da Bahia. “Um aspecto particularmente significativo desta turnê é a presença de quatro compositores vivos no programa: Wellington Gomes, Jamberê, Maestro Duda e Arturo Márquez. A ideia é construir pontes: de um lado, apresentar ao público chinês obras de uma linguagem musical universalmente reconhecida e de outro, oferecer uma experiência singular, marcada por ritmos, cores e referências culturais brasileiras", explica Ricardo Castro.

Para o maestro, que é o único latino-americano vencedor do Leeds International Piano Competition (Inglaterra) e professor na Haute école de musique de Genève (Suíça), fazer parte desta turnê é uma grande honra e responsabilidade. “Essa turnê tem significado simbólico no contexto das relações culturais entre Brasil e China, em um momento em que o país asiático ocupa posição central no cenário global. A entrada da BYD como patrocinadora abre portas para novas ações com enorme potencial de desenvolvimento cultural e institucional. Para mim, pessoalmente, esta turnê representa a continuidade de um trabalho iniciado há quase duas décadas com o Neojiba, baseado na convicção de que jovens talentos, quando bem acompanhados e com as ferramentas adequadas, podem alcançar os mais altos níveis de excelência”, completa.

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