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ARTE URBANA

Festival gratuito reúne grafite, música e formação em Salvador

Arte urbana toma Salvador com shows, debates e ações formativas

Grazy Kaimbé*

Por Grazy Kaimbé*

26/03/2026 - 11:38 h

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Chega a Salvador o Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores
Chega a Salvador o Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores -

Os shows de BNegão, Freelion e Fragmentos do Samba abrem a programação do Festival Internacional de Graffiti Bahia de Todas as Cores (BTC), que retorna hoje a Salvador e segue até domingo, 29.

As apresentações musicais integram o BTC Sound Fest, realizado na Praça Tereza Batista (Pelourinho), palco de shows do evento, que também reúne mais de 100 artistas em atividades gratuitas de arte urbana, debates e formações.

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A programação acontece das 9h às 17h e inclui o bairro de Massaranduba. Em sua 8ª edição, o evento adota o tema “Tecnologia Ancestral” e amplia as ações que articulam arte urbana, formação e convivência com as comunidades.

Um dos curadores, Jocivaldo Santos, mais conhecido como Bigod O Sapo, afirma que o conceito está ligado tanto ao momento atual do evento, quanto à forma como os artistas lidam com seus processos criativos.

“O tema ‘Tecnologia Ancestral’ surgiu com esse retorno a Salvador. A gente passou por outros territórios, mas agora, depois de dez anos de trajetória, existe um outro entendimento sobre como os artistas usam a tecnologia a favor da criatividade”, diz.

Ele questiona a ideia de tecnologia restrita ao campo digital e aponta a relação com saberes tradicionais.

“Por muito tempo, fomos afastados dessa ideia de tecnologia, como se não fosse algo nosso. Mas nossos ancestrais sempre lidaram com isso. A matemática, o jogo de búzios, os sistemas de organização do mundo, tudo isso é tecnologia. Existe uma lógica ali, uma forma de pensar que também está nos computadores hoje”, comenta o grafiteiro e curador.

Nesse contexto, o grafite aparece como ferramenta de comunicação. “O grafite é uma tecnologia que a gente usa para dialogar com os jovens e com a comunidade. Ele cria pontes. A gente acessa territórios ancestrais e comunidades por meio dessa linguagem. É uma forma de se comunicar, de estudar e de se expressar”, afirma.

Formação

Segundo Bigod, o BTC mantém um formato que vai além da produção de murais. “Não é só chegar e pintar. Há um processo: formação, troca de ideias, conversa com a comunidade e autorização para aquele muro. O artista constrói junto. Às vezes ele está pintando e conversando com um morador, ouvindo histórias, faz parte do trabalho”, diz.

Ele adianta que parte dessas ações vai acontecer em Massaranduba, onde o festival realiza atividades com moradores e coletivos locais. “O grafite nasce na periferia. Então ele precisa voltar para esses lugares. A gente leva os artistas para viver essas comunidades, não só para circular pelo centro. Existe uma responsabilidade nisso”, conta.

Entre os artistas convidados está a grafiteira Pri Witch, da Paraíba, que participa do BTC pela terceira vez. Ela conta que o evento funciona como espaço de troca e fortalecimento. “Sou do movimento hip-hop há mais de 20 anos, atuando no graffiti. Espero fortalecer o movimento, principalmente para quem está começando”.

Sobre o processo de criação durante o festival, ela destaca a construção coletiva. “Eu não chego com uma arte totalmente pronta. Gosto de interagir com os artistas que estão ao meu lado, conversar e construir algo em conjunto. Muitas vezes a gente chega a um consenso para o mural”.

A artista também relaciona sua produção ao tema desta edição. “Eu vivo a ancestralidade. Nas ruas sou Witch, mas nos terreiros de candomblé sou ekedi Priscila de Onira. Essa temática tem relação direta com a minha vivência e com o que pretendo levar para o muro”, afirma. “Espero que o público se identifique com a personagem que trabalho e com a mensagem que ela carrega”.

A programação inclui ainda shows no BTC Sound Fest, no Pelourinho. Um dos participantes é o DJ Raiz, que atua com cultura sound system. Ele associa sua prática ao conceito do festival. “Meu trabalho é tecnologia ancestral. Meu instrumento é uma tecnologia ancestral. Eu apresento e promovo saberes que vêm da minha ancestralidade”.

Sobre o formato das apresentações, ele explica: “O público vai encontrar um circuito sound system, com cinco equipes de som. Cada uma toca por 20 minutos, em sistema rotativo. Existe uma disputa pelas melhores sequências, pelas músicas que mais conectam com o público. É um sound clash (choque de sons), mas quem ganha é o público”.

O DJ também destaca a relação entre música e cidade. “O estilo de música que eu toco tem ligação direta com a arte urbana. Ele se conecta com a dança, com a moda, com o modo de viver e com o posicionamento político de quem ocupa a cidade”.

Para ele, participar de um evento gratuito amplia o alcance do trabalho. “Nosso projeto sempre foi ocupar as ruas, levar música e conteúdo para as pessoas. Estar no BTC me lembra o início dessas ações, quando a gente começou a atuar em praças e espaços públicos”, conta.

Festival BTC 2026

  • Quando: a partir de quinta-feira (26) até domingo (29)
  • Horário: 9h às 17h (programação noturna conforme agenda)
  • Onde: Terminal da Barroquinha (Centro) e Massaranduba
  • Entrada gratuita
  • Programação completa: no perfil @btcgraffitifestival

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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