CULTURA
HQ transforma cabelo negro em símbolo de identidade e resistência
Escritora baiana Isabella Ismile lança HQ que ressignifica o termo “encrespar” como memória, orgulho e luta negra

Por Iarla Queiroz

A escritora e quadrinista baiana Isabella Ismile lança, no próximo sábado, 17, o livro em quadrinhos “Encrespou”, em Salvador. O evento acontece às 15h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, e contará com uma roda de conversa aberta ao público.
A obra propõe uma releitura potente do verbo “encrespar”, historicamente usado de forma pejorativa, e o transforma em um símbolo de identidade, memória e resistência do povo negro.
Uma jornada de autoconhecimento e pertencimento
Em Encrespou, o público acompanha a história de Maflô, uma jovem negra que cresceu aprendendo a rejeitar suas origens, especialmente no que diz respeito ao próprio cabelo. Ao longo da narrativa, a personagem passa por um processo de transformação ao conhecer a história do seu povo.
Essa caminhada é construída a partir do protagonismo de movimentos sociais e de personalidades negras do Brasil e do mundo, reforçando a importância da memória ancestral e da representatividade na construção da autoestima.
Prefácio reforça papel educativo da obra
O livro tem prefácio assinado pela professora e escritora Bárbara Carine, autora do best-seller “Como ser um educador antirracista”, vencedor do Prêmio Jabuti 2024, na categoria Educação.
Segundo Bárbara, Encrespou é uma obra que dialoga diretamente com a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira na educação básica. Para ela, o trabalho de Isabella se destaca pela qualidade e pela forma como reconstrói narrativas apagadas.
“O livro reconstrói a nossa história a partir de um extenso protagonismo de diversas personalidades negras do Brasil e do mundo, trazendo pioneirismo e inventividade para os nossos ancestrais”, destaca.
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Escrita sensível e caminhos para o letramento racial
Com uma linguagem leve, didática e acessível, Isabella Ismile aborda temas sensíveis relacionados às violências históricas sofridas pelos povos negros, sem perder o cuidado estético e pedagógico.
A autora afirma que o objetivo da obra é contribuir para a formação crítica e identitária dos leitores.
“O objetivo é que essas pessoas entrem em 2026 acessando uma obra que contribua para o letramento racial”, pontua.
Projeto ultrapassa as páginas e chega às escolas
Mais do que um livro, Encrespou se apresenta como um movimento educativo. A proposta é levar a HQ para escolas públicas e privadas da Bahia e de outros estados.
Neste início de semestre, quatro escolas públicas baianas e oito escolas da região norte fluminense, no Rio de Janeiro, já estão no planejamento. A meta da autora é ampliar o alcance do projeto, participando de eventos literários, artísticos e educativos em diferentes territórios.
Um trabalho coletivo de impacto social
Roteirizado por Isabella Ismile, Encrespou teve coordenação artística e storyboard de Diane Lizst, além de diagramação assinada por Pedro Arcelino. O trio trabalhou por quase dois anos para construir uma obra que unisse impacto social, cuidado artístico e potência educativa.
O projeto foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, com direcionamento do Ministério da Cultura – Governo Federal.
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