CULTURA
Jogo baiano feito em 3 meses com IA vira atração no Gamepólitan
Evento traz a Mostra Baiana de Jogos Digitais e espaço dedicado ao xadrez


Mais do que um espaço para testar lançamentos e acompanhar atrações do universo gamer, o Gamepólitan também se consolidou para novos desenvolvedores baianos. Durante o evento, estudantes e criadores independentes apresentam projetos ao público, recebem avaliações dos jogadores e utilizam o retorno dos visitantes para aperfeiçoar seus jogos.
Um dos destaques da programação é a Mostra Baiana de Jogos Digitais, que reúne produções desenvolvidas no estado. Entre elas está "Hobby", criado por estudantes como parte de um projeto integrador da faculdade.
Segundo Bianca Bispo, integrante da equipe responsável pelo jogo, a oportunidade de colocar o projeto nas mãos do público tem sido uma das experiências mais marcantes do desenvolvimento.
"Tem sido uma experiência ótima saber que nossos jogos vão ser jogados, onde a gente pode pegar experiências. Porque ter a experiência dos jogadores, eles darem suas ideias e tudo mais. A gente passa formulários para eles, onde dizem o que acharam do jogo e o que poderia melhorar. Então, a gente adorou trazer nossos jogos, ver que o pessoal está jogando, está se empolgando. Teve gente até tentando ganhar os prêmios que estamos oferecendo nos nossos jogos", afirmou.
Desafio de criar um jogo em três meses
Líder do projeto, Marcele Matos explicou que o desenvolvimento do game surgiu como parte de uma atividade acadêmica e precisou atender a uma série de requisitos técnicos em um curto período.
"Foi um processo um pouquinho complicado. Nossa faculdade tem o que chamamos de Projeto Integrador. A cada semestre temos um tema específico para desenvolver um jogo e ele precisa atender a alguns requisitos. O nosso tinha que ter inteligência artificial, ser em 3D e contar com vários outros elementos. Além disso, precisava abordar o meio ambiente, que é o tema do Hobby."
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"Tivemos que trabalhar com todas essas dinâmicas e desafios, porque estávamos aprendendo ao mesmo tempo em que desenvolvíamos o jogo. Foi uma experiência um pouco complicada, principalmente porque tínhamos apenas três meses. Mas, ao mesmo tempo, conseguimos um resultado maravilhoso, que foi o nosso filho, o Hobby", destacou.
Xadrez também ganha espaço no festival
Além dos jogos digitais, o Gamepólitan abriu espaço para modalidades tradicionais, como o xadrez, que atrai visitantes interessados em conhecer mais sobre o esporte da mente. Para Gina Leite, Eduardo Brito e Marcelo Torres, representantes da modalidade no evento, o jogo continua atual justamente pelos benefícios que proporciona aos praticantes.
"O xadrez, além da parte pedagógica, também tem essa questão de ensinar a perder. Para a galera mais jovem, acostumada aos jogos online, existe uma questão de disciplina. Então, ele reúne tudo isso. Tem a parte da disciplina e também do aprendizado.
Os representantes também destacaram que o interesse pelo esporte cresceu nos últimos anos, impulsionado pela série O Gambito da Rainha, da Netflix, mas lembraram que o Brasil possui grandes nomes na modalidade.
"O xadrez teve um grande boom, principalmente com o seriado O Gambito da Rainha. O que muita gente não sabe é que temos uma grande representante, a Ruth Cardoso, que foi campeã brasileira sete vezes, e acho que um seriado sobre a vida dela seria um grande sucesso. E, se tem uma coisa certa, é que o xadrez está aí há muitos séculos. Esses jogos digitais, daqui a 20 ou 30 anos, talvez ninguém mais saiba o que é Free Fire, Dota ou qualquer outro. Mas o xadrez vai continuar aí, e os enxadristas seguem com todo o entusiasmo, prontos para receber quem tem curiosidade pelo jogo. Não é à toa que a comunidade online cresce a cada dia."


