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Movimento Hip-Hop entra com força no combate ao tabagismo

Iniciativa busca, através da arte, conscientizar jovens das periferias de Salvador

Leo Prado*
Por Leo Prado*
O projeto pretende capacitar jovens para atuarem como multiplicadores e criadores de conteúdo
O projeto pretende capacitar jovens para atuarem como multiplicadores e criadores de conteúdo - Foto: Uendel Galter / AG. A TARDE

À véspera do Dia Mundial de Combate ao Tabagismo, celebrado neste sábado, 31, o Instituto Social Eumelanina lançou o projeto “Hip-Hop Reduzindo Danos - Edição Tabagismo”, uma iniciativa que busca, através da arte, conscientizar jovens das periferias de Salvador sobre os malefícios da prática. A ação teve como marco inicial um evento de lançamento realizado na tarde de sexta-feira, 30, no Parque São Bartolomeu, no bairro de Pirajá.

Por meio de oficinas, intervenções artísticas e ações nas redes sociais que serão realizadas entre junho e agosto, o projeto pretende capacitar jovens para atuarem como multiplicadores e criadores de conteúdo, levando informação acessível às escolas, praças e mídias digitais, com mensagens sobre prevenção, cuidado coletivo e redução de danos.

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“As cartilhas convencionais de conscientização têm uma linguagem que acaba não chegando nesses jovens de periferia. Então, a nossa ideia é trazer o hip-hop como essa ferramenta de diálogo. Terão oficinas de grafite, escrita criativa e audiovisual, além de oficinas técnicas de saúde, onde receberão informações sobre os malefícios do uso do tabaco. Com isso, eles irão construir produtos, que vão alcançar outros jovens, transmitindo essa informação através da arte”, explica Udi Santos, coordenadora geral do Eumelanina.

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Multiplicadores

A inspiração vem dos chamados cinco elementos do Hip-Hop: MC, DJ, Break, Graffiti e Conhecimento. O projeto busca capacitar até 60 jovens como agentes culturais e comunitários. Além disso, estima-se que 200 a 400 membros de comunidades serão alcançados por saraus e intervenções culturais, e até 15.000 sejam impactadas pelas campanhas em redes sociais.

Udi ainda conta que a escolha do combate ao tabagismo como tema vem de um momento em que a prática está passando a atingir, também, os mais novos. “Os cigarros eletrônicos estão muito em alta. O problema é que eles são ‘mascarados', porque não tem o odor do tabaco, então o jovem acaba nem sabendo que tem a substância ali. Vamos alertar sobre esses malefícios, mostrar o que acontece com o pulmão, por exemplo. Queremos fazer eles entenderem que a melhor escolha é viver”.

Tabagismo causa 477 mortes por dia

Em Salvador, a última edição da pesquisa Vigitel Brasil, de 2023, do Ministério da Saúde, mostrou que o percentual de adultos fumantes foi o maior em 12 anos, com 7,1%. Como forma de comparação, os números registrados nos cinco estudos anteriores foram: 6,1% (2021); 6,8% (2020); 5,4% (2019); 4,8% (2018); e 4,1% (2017).

Já na Bahia, nota-se uma diminuição. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que, em 2019, o índice populacional de usuários de produtos derivados do tabaco era de 10,10%, sendo 13,60% em 2013, edição anterior do estudo. Até então, a Bahia era o segundo estado com menor prevalência de fumantes.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tabagismo é responsável, em média, por 477 mortes por dia, o que representa 174 mil óbitos por ano. Entre as principais causas estão a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), doenças cardíacas, diversos tipos de câncer, AVC, e diabetes tipo 2.

A rapper Áurea Semiseria, escolhida como madrinha do “Hip-Hop Reduzindo Danos”, conta que vive uma história de superação contra o cigarro. Fumante há nove anos, hoje ela se orgulha do seu 6º mês sem nicotina: “Era uma válvula de escape para a minha ansiedade, e só piorou na pandemia, quando se tornou um vício. A minha decisão de parar veio quando eu percebi que não queria acabar com minha vida. Hoje levo uma vida muito mais saudável, consigo correr, pratico Jiu-jítsu, musculação. Com a nicotina eu não teria toda essa vitalidade”.

*Sob a supervisão da editora Isabel Villela

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