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MULHER DO FIM DO MUNDO

Musical foge do óbvio e revela as múltiplas faces de Elza Soares

‘Se Acaso Você Chegasse’ volta a cartaz em montagem amadurecida

Manoela Santos*

Por Manoela Santos*

27/03/2026 - 10:08 h

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'Se Acaso Você Chegasse' ocupa as sextas-feiras do Teatro Módulo
'Se Acaso Você Chegasse' ocupa as sextas-feiras do Teatro Módulo -

A partir desta sexta-feira, 27, o público soteropolitano terá a oportunidade de assistir ao espetáculo Se Acaso Você Chegasse, uma homenagem a uma das vozes mais potentes da música brasileira: Elza Soares. A montagem estreia sua nova temporada no Teatro Módulo.

Em cartaz há mais de 15 anos, o projeto reafirma seu sucesso e conexão com o público. As apresentações acontecem sempre às sextas-feiras, às 19h, com sessões nos dias 27 de março; 3, 10, 17 e 24 de abril; e 1, 8 e 15 de maio. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), disponíveis na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.

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Escrito por Elísio Lopes Jr. e dirigido por Antônio Marques, o espetáculo articula cenas autorais e canções emblemáticas sob direção musical de Ray Gouveia. A montagem constrói uma dramaturgia poética e contemporânea a partir do repertório de Elza, transformando suas canções em matéria-prima para uma experiência cênica sensível.

Em cena, música, teatro e movimento se entrelaçam na criação de personagens e atmosferas que dialogam com memórias coletivas e vivências íntimas. “A presença de Elza Soares como esse grande símbolo acaba guiando o público por uma trajetória de emoção, mas também de reconhecimento, principalmente para quem se vê nessas histórias”, afirma Antônio Marques.

Múltiplas Elzas

Ao longo de mais de uma década em cartaz, Se Acaso Você Chegasse propõe uma obra que se afasta da narrativa biográfica tradicional para construir uma leitura sensível e fragmentada de Elza Soares. A dramaturgia, assinada por Elísio Lopes Jr., parte da ideia de que a artista não pode ser reduzida a uma única história.

“Elza é uma inspiração há muitas gerações. Não apenas o que ela canta, mas quem ela é, o que viveu, o que disse. E esse texto mistura tudo, para enxergar as múltiplas Elzas que existem nesse país. Sabemos que o Brasil é sustentado e que a maior parte das famílias são chefiadas por mulheres pretas. É sobre tudo isso”, explica o dramaturgo.

A construção dramatúrgica privilegia recortes, sobreposições e deslocamentos. Em vez de linearidade, o texto se organiza como um mosaico, permitindo diferentes leituras a cada montagem.

Segundo o autor, essa estrutura aberta também garante a renovação contínua do espetáculo, que pode reorganizar suas cenas a partir dos focos de cada temporada.

Para Elísio, o que chega ao palco é menos o mito e mais a complexidade da mulher por trás da figura pública.

“O espetáculo leva para o palco a mulher, não o ícone. A mãe, a esposa, a mulher capaz de tudo pra se manter íntegra e verdadeira, mas que erra. Essa é a nossa heroína”, afirma Elísio.

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Corpo e atravessamentos

Essa perspectiva se amplia na encenação de Antônio Marques, que propõe um deslocamento da representação direta para uma construção mais subjetiva e coletiva.

A criação parte das experiências das próprias atrizes e de suas referências pessoais, em um processo que articula arte e vida.

Segundo o diretor, a proposta nunca foi reproduzir a trajetória da cantora, mas ativar o que ela simboliza em diferentes corpos e histórias. “O espetáculo foi sendo concebido com base no contexto pessoal das atrizes, partindo da pergunta: quem é uma Elza na sua vida”?

Antônio explica que as personagens surgiram desse território de atravessamento, reunindo vivências marcadas por enfrentamentos ao racismo, ao machismo e a outras violências estruturais.

No palco, essa construção ganha força com a presença de Denise Correia, que integra o elenco desde as primeiras montagens.

Para a atriz, o processo de criação exige escuta e entrega, mais do que imitação. “Construir uma personagem inspirada no universo de Elza Soares é, antes de tudo, mergulhar em uma trajetória profundamente marcada por dor, resistência e reinvenção”.

Para ela, o mais importante nessa construção é não tentar “ser Elza”, não imitar, mas deixar que a personagem seja atravessada pelo que ela representa. “É captar a essência de Elza, sua força, resistência, dor transformada em arte, e uma liberdade conquistada com muita luta”.

Denise destaca ainda que sua personagem se conecta a uma Elza mais madura, atravessada por experiências limite e pela capacidade constante de se reinventar. “Elza atravessou fome, violência, racismo e perdas profundas, e ainda assim transformou tudo isso em expressão artística. A personagem bebe dessa força, como uma luta diária, marcada por cicatrizes”.

Esse processo também reverbera na trajetória da própria intérprete, que identifica no espetáculo um espaço de transformação artística. “Esse processo me faz refletir muito sobre a coragem artística, coragem de se expor. Você entra em contato com essa liberdade de arriscar mais, de ocupar o palco com mais firmeza, de não pedir permissão para existir artisticamente”.

Espaço para sentir

Além de Denise, a produção da Arte Sintonia Companhia de Teatro conta com as atrizes Aline Nepomuceno e Lívia França, que protagonizam diferentes momentos inspirados na artista. O elenco ainda inclui Agamenon de Abreu, Cristiane Florentino, Gilson Garcia, Lycia Pestana, Leonardo Freitas e Madah Gomes.

Na nova montagem, o espetáculo ganha ainda mais potência com a incorporação de música ao vivo e com o amadurecimento do grupo ao longo dos anos, aprofundando a experiência sensorial proposta pela encenação. “É um espetáculo que atravessa pela música, pela dança e pelo teatro, e que convida o espectador não só a assistir, mas a sentir” ,afirma Antônio Marques.

“É um espetáculo que toca, que mobiliza e que, de alguma forma, permanece com o espectador mesmo depois que ele sai do teatro”, conclui o diretor.

A apresentação integra o projeto “Arte Sintonia em Movimento”, iniciativa da Arte Sintonia Companhia de Teatro, contemplada pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da Prefeitura de Salvador.

‘Se Acaso Você Chegasse’ / A partir de hoje até dia 15 de maio, sempre às sextas-feiras, 19h / Teatro Módulo (Av. Prof. Magalhães Neto, 1177 – Pituba) / R$ 60 e R$ 30 / Vendas: Sympla ou na bilheteria do teatro / Classificação: Livre

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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