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TEATRO

O que o isolamento ensina? Peça mergulha no inconsciente humano

Mateus Schimith estreia monólogo profundo em Salvador

Eugênio Afonso

Por Eugênio Afonso

23/02/2026 - 5:02 h

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Veja como experiências reais viraram poesia cênica no espetáculo Eremita
Veja como experiências reais viraram poesia cênica no espetáculo Eremita -

Protagonizado pelo capixaba Mateus Schimith, 39, Salvador vai receber, pela primeira vez, o espetáculo de teatro Eremita. Uma peça que nasce com o propósito de ser uma investigação cênica sobre as travessias entre memória, deslocamento e autoconhecimento.

Com direção de Antônio Apolinário e dramaturgia de Fernando Marques, Eremita terá sessões de quinta-feira, 26, até domingo, 1º de março, sempre às 20h, no Teatro do Goethe-Institut (ex-Icba), no Corredor da Vitória.

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Sozinho em cena, Mateus diz que o monólogo atravessa memórias e deslocamentos, propondo uma reflexão sobre as possibilidades de reencontro consigo mesmo. “Mas é um solo que estabelece diálogo. A presença do público é convocada como espelho e testemunha do processo”.

“A peça aborda o deslocamento – geográfico e subjetivo – e o momento em que o sujeito precisa abandonar antigas peles para continuar existindo. Fala da travessia entre perder-se e encontrar-se”, arremata.

Inspirada no mito grego do autoadmirador, a dramaturgia mescla ficção e autobiografia. “Há uma alusão a Narciso, um dos elementos investigados no processo criativo. O espelho anuncia a revelação daquilo que evitamos ver: a nós mesmos. É o momento em que a imagem idealizada se rompe e surge o sujeito real – vulnerável, múltiplo e em trânsito”, detalha Schimith.

Conduzido por uma pesquisa corporal, o espetáculo cria um espaço de escuta e de confronto íntimo, onde o público também poderá reconhecer as próprias travessias.

“A cena se constrói a partir da fisicalidade, da palavra e de imagens simbólicas. Há uma atmosfera ao mesmo tempo ritualística e atemporal. Não se trata de uma narrativa linear, mas de uma composição de memórias, fragmentos, estados e revelações que se acumulam, produzindo um rito de passagem”, frisa o ator.

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Elaboração poética

O eremita do título é aquele que se retira para buscar sentido, de acordo com Mateus. “Essa imagem foi se tornando evidente ao longo do processo criativo, que girava em torno da busca por algo ainda desconhecido”, conta.

“A carta IX do tarô, que representa o eremita como figura de sabedoria e introspecção também atravessou a pesquisa. O título aponta para a escolha de atravessar a solidão e o isolamento – carregando memórias e perguntas – como campo de transformação”, alinhava o protagonista.

Mateus garante ainda que, apesar de haver material que parte de experiências reais, não se trata de uma autobiografia documental. “A experiência pessoal é transformada em linguagem cênica, atravessada por ficção, metáfora e elaboração poética. O ‘eu’ em cena é, ao mesmo tempo, íntimo e coletivo”.

Caminhos reveladores

Para dirigir o espetáculo, Mateus chamou o figurinista, maquiador, ator, cenógrafo e diretor de arte alagoano Antônio Apolinário, 56. Eles se conheceram no período em que eram estudantes na Universidade Federal de Ouro Preto (MG), e passados mais de 20 anos se reencontraram em Vitória (ES).

“Aceitei o convite, fomos para a sala de ensaio e começamos a pesquisa. Inicialmente, procurei estreitar nossa relação a fim de criar condições nas quais a gente pudesse desenvolver intimidade e confiança mútuas, para fortalecer nosso elo e possibilitar a criação do trabalho”, explica Apolinário, que também é mestre em artes cênicas.

“Priorizei potencializar o trabalho de atuação no qual requer o intérprete em constante atravessamento, provocado pelos dispositivos de criação, denominados por mim, de ‘peles em processo’ – disparadores que procuram alterar a sala de ensaio e, consequentemente, o estado criativo não só do ator, mas também de toda equipe de criação”, complementa o diretor.

Para ele, Eremita é a metáfora do indivíduo que se lança ao mundo no exercício de encontrar caminhos reveladores para se desvendar, desnudar e perder a si mesmo. “Na árdua e contínua jornada do autoconhecimento, na busca de si mesmo”.

Trilha baiana

Com trilha sonora assinada pelo músico baiano Luciano Salvador Bahia, Eremita fala de algo que não tem tempo nem lugar e está mais no plano psicológico. “Então, a trilha também não poderia estar em um local, em um estilo musical, nem num tempo. Fiz algo que procura levar também o espectador para esse lugar que é meio ansioso, que é meio da natureza humana. A jornada do ser humano na terra, sabe?”, define Luciano.

“Não podia ter coisas muito localizadas como europeu ou africano, nada disso, é tudo uma coisa meio do passado, como se eu estivesse fazendo uma trilha para um espetáculo que se passasse na história antiga, remota da humanidade, porque é um pouco isso que ele faz”, complementa o músico.

Bahia acrescenta, afirmando que a trilha, na verdade, trata mais do inconsciente.

“Do ser interior do homem na Terra. Procurei levar para esse lugar que não datasse nem colocasse ela em nenhum lugar”, detalha.

Iniciativa do Goethe

A proposta de Eremita é construir uma narrativa sensível e imagética, conduzindo o espectador por desertos simbólicos, mares imaginários e profundezas internas. O personagem central deve carregar o peso de suas próprias incertezas em uma jornada marcada pela busca de si no encontro com o desconhecido.

A temporada integra a iniciativa do Goethe-Institut que, duas vezes ao ano, abre as portas de seu teatro para produções acadêmicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e Eremita se encaixa no projeto, já que Mateus é professor de interpretação na Escola de Teatro localizada no Canela.

Esta é uma ação que oferece a estudantes e professores da Ufba a oportunidade de ocupar um espaço profissional e apresentar seus trabalhos, fortalecendo, assim, a formação artística, estimulando o intercâmbio cultural e reafirmando o instituto como um dos polos ativos da agenda cultural de Salvador.

Eremita / Goethe-Institut Salvador - Corredor da Vitória / 26, 27 e 28 de fevereiro e 1º de março / 20h / R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) / Vendas: Sympla / Classificação: 16 anos

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