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CRÔNICA

Por que escolhi escrever? Uma carta de amor aos livros no seu dia

Dia do Livro: um relato emocionante sobre crescer lendo

Marina Branco
Por

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Como a paixão pelas histórias na infância virou propósito de vida
Como a paixão pelas histórias na infância virou propósito de vida -

Eu não cheguei a conhecer uma versão de mim mesma que não tenha sido apaixonada por livros. Aos três anos de idade, aprendi a ler, e nas perguntas sobre o que gostava de fazer nos álbuns de bebê, as respostas já eram ler e escrever. Desde muito pequenininha, meu passatempo eram as histórias que contavam pra mim, as que eu lia sozinha, e as que criava na minha cabeça, que nunca falhou em ter uma imaginação tão fértil quanto meus livros me ensinaram a ter.

Na infância, os livros foram meus melhores amigos. Combinando com a clássica menina que só fazia ler e, por ser do jeito que era, acabou sendo uma criança sozinha, os livros se tornaram as companhias que não tinha, e os mundos onde, de verdade, vivia. Talvez eu seja uma das poucas pessoas que sentem que a vida adulta é muito melhor do que a vida quando criança. Mas, se eu fosse voltar para alguma memória daquela época, com certeza seriam as histórias que eu tanto amava ler.

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Na adolescência, meus livros eram a poesia que romantizava e coloria uma vida que teimava em ser confusa. Dava espaço para amar e acreditar no amor. De uma criança que vivia no próprio mundo, eu me tornei uma adolescente loucamente apaixonada pelo mundo ao meu redor, porque desde que me abri para ele e deixei de viver só no meu infinito particular, sempre o vi - e ainda vejo - tão colorido quanto os mundos dos meus livros.

Na vida adulta - ou pelo menos no começo dela -, o sentido de tudo. As palavras se tornaram o dia a dia, a tarefa e o propósito. Quando, na época do vestibular, precisei olhar pra dentro com a maior sinceridade da minha vida e descobrir quem eu era e o que eu amava, a única resposta que encontrei foram eles.

Os livros, as palavras, a escrita. Fiz jornalismo porque a Nina de três anos amava ler, porque a de dez vivia pelas histórias que lia, e porque a de 17 só amava a própria vida porque a enxergava pelas lentes de criatividade, cor e beleza que os livros me ensinaram a ter.

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Porque amo histórias, e porque o que deu sentido à minha vida foram as histórias que um dia alguém escreveu para que eu lesse. Porque me parece uma vida muito bem vivida dedicar meus dias a escrever as histórias do mundo real que os livros me permitiram enxergar de um jeito tão colorido.

Fiz pela sensação de mergulhar em uma história e não sentir as horas passando, ler uma frase e virar páginas sem sentir que li nada, mas sim absorvi uma história viva. Para aprender a fazer a mágica que passou minha vida inteira me encantando.

Para poder ligar o botão na mente de alguém que a faça sair da própria realidade e enxergar um mundo diferente. E, com sorte, para um dia poder escrever algo que toque a vida de alguém como tantos escritos antes tocaram a minha e moldaram quem eu sou.

Fiz o que pude para ser fiel a quem eu fui a vida inteira, e aos livros que ditaram esse caminho. Para passar o máximo de tempo na minha vida pensando, criando, escrevendo e imaginando, mais do que reproduzindo padrões sem brilho e sem magia. Para criar esse mundo colorido em cima de um mundo tão cinza.

As palavras, aos poucos, se encaixaram nos lugares onde eu as queria, e me deram a chance de realizar sonhos que eu nem ousava sonhar. Me levaram ao caminho do esporte, que entrou na minha vida para que as histórias que eu contasse fossem histórias de emoção e alegria todos os dias, sem exceção.

As palavras se tornaram todos os segundos de cada dia, e o que faz com que cada um deles valha a pena ser vivido. Ser escrito, construindo as histórias que um dia me embalaram quando pequena. Que me colocaram no colo, me ninaram, aconselharam, alegraram, cuidaram e apaixonaram.

Os livros salvaram minha vida, e a vida que eles me deram não poderia ser usada para algo que não escrever. Criar. Imaginar. Dar vida. Ler.

Hoje, não sei quem eu seria ou teria sido se não tivesse me apaixonado por livros. Tenho uma crença fiel de que seria menos feliz, menos interessante, menos viva. De que não teria tanta vontade de viver e de escrever a vida que quero para mim.

Qualquer que seja essa versão, acho que não tenho o menor interesse de conhecer. Entre as tantas dúvidas que a vida coloca no caminho sobre quem nós somos e o que queremos ser, minha resposta me deu a sorte de caminhar lado a lado comigo a vida inteira. E espero que, pelo resto da vida, eu possa me "resumir", me somar e me criar, a imaginar, viver, ler e escrever.

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