DIGITAL
Aplicativo transforma celular em clínica de olhos portátil
Por Marcos Venancio Machado

Um aplicativo para smartphones é a esperança para quem tem problemas de visão em regiões pobres ou remotas da Terra. O Peek (Portable Eye Examination Kit) permite exames portáteis a partir de um aparelho de telefone celular e está sendo testado no Quênia, com cinco mil pessoas. Uma equipe formada por oftalmologistas, engenheiros, programadores e médicos participou do desenvolvimento.

O flash da câmera também pode ser usado para iluminar o fundo do olho e detectar outras doenças da visão. No smartphone, todos os dados coletados podem ser enviados a um médico, numa cidade grande ou capital, com informações obtidas no exame, além de identificar a localização da consulta por meio do GPS. O Peek realiza ainda testes de acuidade visual, campo de visão, cores, sensibilidade ao contraste e exame de retina.
As pesquisas estão em andamento e são focadas nas ocorrências visuais incapacitantes, como catarata, erro de refração, tracoma e opacidade da córnea. As doença da retina, como retinopatias diabética e causa pela malária, degeneração macular e problemas no nervo ótico, incluindo glaucoma, também fazem parte do estudo.
Em entrevista dada à BBC, Bastawrous diz que "pacientes que mais precisam (do exame) nunca vão conseguir chegar a um hospital, porque estão depois do fim da estrada, não têm dinheiro para o transporte. Por isso precisávamos de uma maneira de alcançá-los".
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 285 milhões de pessoas são cegas ou têm alguma deficiência visual. No site do Peek, outra informação: 39 milhões desses 285 milhões são totalmente cegos, 80% dessa cegueira é curável e 90% dos cegos do mundo vivem em países pobres.
Frequentemente, o tratamento desses problemas é simples: requer apenas óculos ou cirurgia. O telefone utilizado na pesquisa não é caro. Em Londres, custa cerca de 300 libras (aproximadamente de R$ 1.100). Um grande equipamento de exame oftalmológico, por outro lado, pode custar até 100 mil libras (quase R$ 358 mil).
As imagens obtidas no Quênia estão sendo comparadas a outras obtidas com aparelhagem convencional, levada à àfrica pela equipe numa van. O estudo não está completo, mas os pesquisadores dizem que os primeiros resultados são promissores e que cerca de mil pessoas receberam tratamento a partir do que foi levantado em campo.
A equipe no Quênia é formada, além de Bastawrous, pelo fundador da empresa de desenvolvimento de aplicativos Golden Gekko, Stewart Jordan. Também participam do projeto o engenheiro eletrônico Mario Giardini, o oftalmologista Iain Livingstone, além de equipe de suporte em Londres e no Quênia.
Para saber mais sobre o Peek (em inglês)
Para ler reportagem na BBC (em inglês)
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes