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ENTENDA O RESULTADO NEGATIVO

Banco do Brasil divulga balanço financeiro com queda de 45% nos lucros

Instituição financeira lucrou R$ 20,685 bilhões em 2025

Gustavo Nascimento

Por Gustavo Nascimento

11/02/2026 - 22:59 h

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Fachada da sede do Banco do Brasil, localizada em Brasília
Fachada da sede do Banco do Brasil, localizada em Brasília -

O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil em 2025 foi de R$ 20,685 bilhões, que – apesar de parecer um valor exorbitante – representa uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado pela instituição na noite desta quarta-feira, 11. O resultado negativo foi motivado, sobretudo, pelas novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência.

Segundo o banco, a geração de receitas está aumentando, apesar das pressões provocadas pela inadimplência. A instituição afirmou que as receitas financeiras com crédito a pessoas físicas e com o Programa Crédito do Trabalhador, que unifica a contratação de crédito consignado de trabalhadores de empresas privadas, têm ajudado o banco.

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"Foram desembolsados R$ 13 bilhões no crédito do trabalhador, uma demonstração que reafirma nossa expectativa declarada de que iríamos crescer em linhas com melhor retorno ajustado ao risco", ressaltou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada em 2021, entrou em vigor em janeiro de 2025 e alterou a contabilidade das instituições financeiras, interferindo

no resultado. A resolução muda o modelo de provisões (reservas financeiras para cobrir possíveis calotes) para perda esperada, feita com base em estimativas.

Dessa forma, a forma como algumas despesas e receitas são reconhecidas foi afetada, fazendo com que o banco deixasse de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito.

Inadimplência em alta

O índice de inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias, subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025, resultado influenciado principalmente pelo agronegócio, segmento onde o banco lidera na concessão de crédito, e na linha de cartões de crédito.

Enquanto isso, a inadimplência da carteira de pessoas físicas encerrou o período em 6,56%, elevação de 0,55 ponto percentual.

Crescimento do crédito

Apesar do aumento dos juros, o BB emprestou mais em 2025, puxado principalmente pelo crédito às pessoas físicas, de modo que a carteira de crédito ampliada encerrou o ano passado em R$ 1,296 trilhão, 2,5% maior que em 2024.

Na distribuição por segmentos de crédito, os resultados foram os seguintes:

  • Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões no fim de dezembro, alta de 1,8% no trimestre e de 7,6% em um ano, com destaque para a nova modalidade de crédito consignado para CLT, destinado a trabalhadores da iniciativa privada, com R$ 14,3 bilhões emprestados.
  • Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões, alta de 0,5% no trimestre e de 0,6% em um ano. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 260,4 bilhões, com alta de 4,3% em 12 meses, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas somou R$ 115,2 bilhões, recuo de 7,9% no ano passado.
  • Agronegócios: R$ 406,13 bilhões, alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% em um ano. Nos seis meses do Plano Safra 2025/2026, o Banco do Brasil R$ 103,9 bilhões em crédito ao agronegócio, além de R$ 12,3 bilhões em linhas para a cadeia de valor do agro.
  • Carteira de Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões, financiando atividades que geram impactos sociais e ambientais positivos, com alta de 7,3% em 12 meses. Essa carteira corresponde a 32% do crédito total do banco.

Receitas e despesas

As receitas de prestação de serviços do Banco do Brasil em 2025 tiveram queda de 1,9% em relação a 2024, somando R$ 34,813. Segundo o BB, a queda foi amenizada pelo crescimento nas receitas com linhas de administração de fundos (+13,5%), taxas de administração de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%).

Além disso, as despesas administrativas totalizaram R$ 34,813 bilhões, uma alta de 5,1% em relação a 2024. De acordo com o banco, a elevação veio a partir do reajuste salarial e nos investimentos em tecnologia e cybersegurança.

Projeções

Após a redução do lucro no último ano, o banco prevê a recuperação dos ganhos em 2026. Confira os números projetados:

  • Lucro líquido ajustado: R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões;
  • Crescimento da carteira de crédito: de 0,5% a 4,5%; com alta de 6% a 10% para pessoas físicas; queda de 2% a alta de 2% para o agronegócio; e queda de 3% a alta de 1% para empresas;
  • Receitas de prestação de serviços: crescimento de 2% a 6%;
  • Despesas administrativas: crescimento de 5% a 9%;
  • Custo do crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos): R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões;

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