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GUERRA COMERCIAL

China eleva tarifas sobre os produtos dos Estados Unidos para 125%

A nova tarifa, em resposta aos aumentos das tarifas, entrará em vigor no sábado, 12

AFP
Por AFP
Guerra comercial entre as duas potências tem preocupado países parceiros
Guerra comercial entre as duas potências tem preocupado países parceiros - Foto: HECTOR RETAMAL / AFP

A China anunciou, nesta sexta-feira, 11, que aumentará as tarifas sobre os produtos dos Estados Unidos para 125%, aprofundando ainda mais a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A nova tarifa entrará em vigor no sábado, 12.

"A imposição por parte dos Estados Unidos de tarifas anormalmente elevadas contra a China viola gravemente as normas comerciais internacionais, as leis econômicas básicas e o bom senso", afirmou a Comissão Tarifária do Conselho de Estado em um comunicado.

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"Levando em consideração que neste nível de tarifas os produtos americanos exportados para a China já não têm mais nenhuma chance de serem aceitos no mercado, se Washington continuar aumentando suas tarifas, a China vai ignorar", acrescenta a nota.

Pequim anunciou que também apresentará uma demanda na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a mais recente série de tarifas de Trump. A incerteza gerada pelas políticas de Donald Trump continua pressionando o dólar, que nesta sexta-feira atingiu a menor cotação em mais de três anos em relação ao euro.

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A maioria das Bolsas europeias operava em queda. Em Tóquio, o índice Nikkei encerrou a semana com uma queda de 2,95%.

"Resistir"

Donald Trump anunciou, na quarta-feira, uma pausa de 90 dias nas tarifas que havia acabado de anunciar contra 60 parceiros comerciais, uma isenção que exclui a China.

Washington, no entanto, mantém tarifas mínimas de 10% e sobretaxas alfandegárias de 25% sobre o aço, o alumínio e os automóveis. No caso da China, as tarifas sobre as importações dos produtos do país asiático alcançam 145%.

O presidente chinês, Xi Jinping, fez um apelo à União Europeia (UE) por uma resistência conjunta à "intimidação". Em uma reunião em Pequim com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o chefe de Estado da segunda maior economia mundial destacou a necessidade de cooperação entre as potências diante da guerra comercial iniciada por Trump.

"China e UE devem assumir suas responsabilidades internacionais, proteger juntas a globalização econômica (...) e resistir juntas a qualquer assédio unilateral", afirmou Xi.

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Em uma entrevista coletiva posterior, Sánchez, partidário da aproximação entre UE e Pequim, declarou que as tensões comerciais entre as potências não devem interferir no desenvolvimento de sua cooperação.

"Tanto a Espanha como a Europa têm um importante déficit comercial com a China em que devemos trabalhar para sanar", afirmou o líder social-democrata.

"Mas não devemos permitir que as tensões comerciais interfiram no potencial crescimento de nossa relação, entre China e Espanha e entre China e a UE", acrescentou.

O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, se reunirá na segunda-feira, 12, em Washington com funcionários de alto escalão do governo americano para tentar evitar um agravamento das tensões comerciais, informou a Comissão Europeia.

Nova disputa com o México

A União Europeia decidiu suspender as medidas de retaliação preparadas "para dar uma oportunidade às negociações", depois que Trump pausou as chamadas "tarifas recíprocas".

O presidente americano afirmou que os líderes do bloco estavam "preparados para anunciar represálias. Ouviram o que fizemos com a China e disseram: 'Querem saber? Vamos esperar um pouco'".

Contudo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que o bloco tem um "amplo leque de contramedidas", como adotar tarifas contra as receitas publicitárias das plataformas digitais americanas dentro do bloco.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Cristine Lagarde, disse que a instituição está "preparada para intervir" em caso de risco para a estabilidade financeira na zona do euro.

Do outro lado do Atlântico, o presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar o México na quinta-feira com "tarifas e talvez sanções", até que o país cumpra um tratado de 1944 e "dê ao Texas a água que deve".

O tratado citado estabelece que México e Estados Unidos compartilhem as águas dos rios Grande (que os mexicanos chamam de Bravo) e Colorado, que seguem ao longo da fronteira entre os dois países.

Mas quando o tratado foi assinado, o texto não considerava problemas futuros de seca nem o aumento da população, o que gerou divergências.

A disputa pela água é mais um capítulo de uma série de tensões entre México e Estados Unidos. Trump impôs tarifas de 25% sobre os produtos mexicanos por considerar que o país não combate de maneira eficaz o tráfico de fentanil, um opioide sintético que causa estragos nos Estados Unidos.

Após idas e vindas diplomáticas, Trump isentou os produtos incluídos no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC).

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