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DO GRÃO À BARRA

Crise no cacau? Veja como a Jupará criou chocolate de luxo na Bahia

Marca baiana aposta no conceito bean-to-bar (do grão à barra) para produzir chocolates livres de lactose e conservantes no bairro da Graça

Jair Mendonça Jr
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Sérgio Lagares
Sérgio Lagares -

A pacata vizinhança do bairro da Graça, em Salvador, esconde um segredo aromático que rompe com a lógica industrial. Onde muitos veem apenas um bairro residencial, Sérgio Lagares enxergou o local ideal para instalar a Kinka Jou, a fábrica urbana da Jupará Chocolates.

O empreendimento é o ponto final de uma jornada de resiliência que começou há décadas, no rastro da devastação causada pela "vassoura-de-bruxa" no Sul da Bahia.

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Em entrevista ao Portal A TARDE, Lagares detalhou como a transição de produtor de matéria-prima para fabricante de chocolates finos não foi apenas uma escolha comercial, mas uma estratégia de sobrevivência econômica e preservação ambiental.

A verticalização como salvação econômica

Sérgio Lagares
Sérgio Lagares | Foto: Acervo pessoal

A história da Jupará é um exemplo prático de verticalização. Enquanto o preço da amêndoa do cacau (commodity) é ditado pelas oscilações da bolsa de Nova York, o chocolate de origem — conhecido pelo conceito bean-to-bar (do grão à barra) — permite que o produtor agregue um valor que pode superar em até 10 vezes o preço do cacau bruto.

"A verticalização era a única saída. Vender apenas a amêndoa não sustentava mais a preservação da fazenda. O controle total, da fermentação na fazenda em Itajuípe até a embalagem final em Salvador, é o que garante a nossa sustentabilidade", explica Sérgio.

Tecnologia e tradição: o chocolate "limpo"

Diferente dos chocolates de massa, segundo Sérgio, os produtos da Jupará são formulados para um público consciente e com restrições alimentares. "A fábrica produz barras livres de leite, lactose, glúten e conservantes artificiais", disse.

O segredo, conforme o produtor, está na precisão técnica. Embora utilize o sistema tradicional de Cabruca (plantio sob a sombra da mata nativa), a tecnologia entra na fase de fermentação controlada.

"Sensores e rigor técnico garantem que o sabor amargo excessivo seja substituído pelas notas frutadas e florais naturais do cacau baiano, sem a necessidade de aditivos químicos", ressalta Sérgio.

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Fábrica urbana e turismo de experiência

A instalação da fábrica na capital baiana dialoga com o conceito de indústria de baixo impacto e inovação urbana. A Kinka Jou funciona como uma vitrine viva:

  • Transparência: o público pode acompanhar as etapas da produção artesanal.
  • Educação: o espaço oferece cursos para novos produtores, fortalecendo o ecossistema de chocolates de origem na Bahia.
  • Proximidade: reduz a distância entre o campo e o consumidor final, promovendo o consumo local.

O futuro do cacau baiano

A Bahia se consolidou como o principal polo de marcas de chocolate de origem no Brasil. Para a Jupará, o próximo passo reafirma o compromisso com a rastreabilidade e a possível busca por selos de Indicação Geográfica (IG), que chancelam a qualidade mundial do cacau do Sul do estado.

Com uma produção que respeita o ciclo da natureza e foca na saúde do consumidor, a Jupará prova que a crise da vassoura-de-bruxa, embora dolorosa, forçou a cacauicultura baiana a se reinventar com inteligência, tecnologia e foco no mercado premium.

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