ECONOMIA
Energia eólica e solar ajudam a impulsionar PIB e empregos
Bahia lidera transição energética e colhe frutos na economia e na renda local

O avanço de fontes como eólica e solar tem ampliado o peso da Bahia na cadeia nacional de energia limpa e atraído investimentos em diferentes etapas do setor. O movimento reforça a posição da Bahia como um dos principais territórios da transição energética no país.
De acordo com estudo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), em parceria com a consultoria GO Associados, cada real investido em energia eólica gera R$ 2,90 no PIB. O levantamento também indica que municípios com parques eólicos registraram, em média, crescimento 21% maior no PIB real e aumento de 20% no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em comparação com localidades vizinhas sem empreendimentos do tipo.
O secretário de Desenvolvimento Econômico em exercício, Aécio Moreira, destaca que parte desse impacto está na forma como a atividade se conecta ao território. Ele ressalta o modelo de arrendamento de terras como um dos pilares dessa dinâmica, ao permitir que famílias rurais recebam remuneração pela instalação de turbinas em suas propriedades, com efeitos diretos sobre o comércio local e os serviços.
Segundo dados do estudo citado pelo secretário, em 2018 os pagamentos de arrendamento do setor eólico geraram um impacto estimado de R$ 524 milhões em valor agregado nas regiões produtoras do Nordeste e Sul do país.
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Geração de empregos
Na geração de empregos, a ABEEólica aponta que a energia eólica cria cerca de 11 postos de trabalho por megawatt (MW) instalado. Já a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) indica uma média de 30 empregos por MW instalado ao ano na energia solar. No semiárido baiano, esses postos têm contribuído para a ocupação de mão de obra em municípios historicamente com menor dinamismo econômico.
A Bahia, porém, avança além da geração de energia. A presença de fabricantes globais e a consolidação do Polo Industrial de Camaçari como hub logístico têm contribuído para a formação de uma cadeia produtiva mais ampla em torno das renováveis. A tendência é de retenção de maior parcela do valor gerado pela transição energética dentro do próprio estado, com reflexos em empregos qualificados, arrecadação e adensamento industrial.
Desafios simultâneos
Esse movimento também alcança setores intensivos em energia, como a indústria petroquímica. Para a gerente de Energia e Descarbonização da Braskem, Angélica Bertin, a transição energética impõe desafios simultâneos de competitividade e adaptação tecnológica. Segundo ela, o setor “está se reinventando tecnológica, estrutural e operacionalmente em pleno voo”, em um cenário global marcado por volatilidade e incerteza.
Angélica destaca ainda que a substituição de fontes energéticas em escala industrial exige “um fornecimento estável e consistente” de energia renovável, além de infraestrutura adequada para sustentar ganhos ambientais em larga escala. Para ela, as limitações estruturais ainda reduzem a eficiência da descarbonização.
A executiva defende que políticas públicas são centrais para viabilizar a transição. Entre os pontos apresentados, estão o fortalecimento da demanda por produtos mais sustentáveis, por meio de requisitos de conteúdo renovável ou reciclado, e a criação de incentivos para inovação e redução de custos de investimento.
Ela também aponta a necessidade de políticas que considerem os diferentes escopos de emissões, com uma abordagem mais abrangente da descarbonização. Na avaliação da executiva, a combinação entre regulação clara e incentivos financeiros é decisiva para tornar projetos sustentáveis viáveis em escala industrial.
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