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Gargalo da transmissão ainda desafia a expansão da energia renovável

Bahia investe em 4,5 mil km de linhas de transmissão para destravar a indústria

Divo Araújo
Por Divo Araújo
| Atualizada em

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Solução não depende apenas da expansão das grandes linhas de transmissão
Solução não depende apenas da expansão das grandes linhas de transmissão - Foto: Renata Schiffer | Teasa

O gargalo das linhas de transmissão de energia elétrica na Bahia se consolidou, nos últimos anos, como um dos principais desafios para o avanço da transição energética no estado. Apesar da expansão acelerada da geração renovável, especialmente eólica e solar, a infraestrutura necessária para escoar essa produção não acompanhou o mesmo ritmo, criando um descompasso que afetou diferentes regiões do território baiano.

Segundo o diretor-presidente da Bahiainvest, Paulo Guimarães, o estado conta hoje com cerca de 8.500 quilômetros de linhas de transmissão. Ele afirma que, entre 2016 e 2022, não houve a implantação de novos projetos dessa natureza, o que agravou gargalos no oeste, no semiárido e no extremo sul do estado. Esse cenário, no entanto, começou a mudar com os leilões realizados pelo governo federal em 2023 e 2024, que vão adicionar aproximadamente 4.500 quilômetros ao sistema.

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A expectativa, segundo ele, é que o estado alcance cerca de 13 mil quilômetros de linhas de transmissão, com entrada em operação já a partir do próximo ano. Embora os leilões previssem inicialmente a operação apenas em 2028, houve antecipação dos cronogramas, permitindo que parte das estruturas comece a funcionar já no início de 2027, com outras sendo incorporadas ao longo do ano.

Também para o secretário de Desenvolvimento Econômico em exercício, Aécio Moreira, o principal desafio da expansão das energias renováveis na Bahia hoje está no escoamento da produção. Segundo ele, o chamado curtailment — quando a energia gerada não consegue ser totalmente transmitida por limitações na rede — é o principal obstáculo energético para a indústria baiana.

Assim como Guimarães, ele destaca que há um conjunto de investimentos estruturantes em andamento para ampliar a capacidade da rede elétrica e cita a chegada de novos projetos de transmissão viabilizados pelos leilões federais recentes.

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Na avaliação de Paulo Guimarães, a chegada dessas novas linhas cria uma nova base capaz de sustentar a expansão industrial no interior. Um dos efeitos diretos dessa reconfiguração, segundo ele, será a possibilidade concreta de instalação de uma indústria têxtil de grande porte no oeste. Hoje, a região ainda exporta algodão em estado bruto, sem agregação de valor industrial. Com a melhoria na oferta de energia elétrica, o cenário pode mudar, permitindo a implantação de etapas como fiação e tecelagem na própria região.

Guimarães também aponta que o fortalecimento da infraestrutura energética deve beneficiar toda a cadeia agroindustrial do oeste, que depende fortemente de eletricidade para expandir suas operações. A região, segundo ele, apresenta uma demanda reprimida significativa, que até agora limitava a chegada de novos projetos produtivos.

Entre os projetos estratégicos, o secretário Aécio Moreira destaca o Projeto Serra Dourada, que prevê mais de 1.100 quilômetros de extensão ligando Juazeiro, na Bahia, a Arinos, em Minas Gerais, passando por mais de 20 municípios baianos e reforçando a integração do sistema elétrico no oeste do estado.

Ritmo mais acelerado

O economista Carlos Danilo Peres, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), explica o problema a partir de uma análise mais ampla do funcionamento do sistema elétrico. Ele explica que a expansão das energias renováveis ocorreu em ritmo mais acelerado do que a construção das linhas de transmissão, o que gerou um desequilíbrio entre geração e escoamento.

Segundo ele, esse descompasso ajuda a explicar situações em que há excesso de oferta de energia em determinadas regiões, ao mesmo tempo em que o sistema ainda apresenta sinais de risco de abastecimento em outras partes do país. Nesse cenário, parte da energia gerada no Nordeste não consegue ser plenamente escoada para o principal centro consumidor, o Sudeste.

Peres aponta ainda que uma alternativa estratégica em discussão é a criação de grandes centros de consumo no próprio Nordeste, reduzindo a dependência das longas linhas de transmissão. “Que nós pudéssemos, ao invés de criar as linhas de transmissão, usar esses centros de consumo aqui”, afirma.

A solução para o gargalo energético no interior da Bahia, segundo o economista, no entanto, não depende apenas da expansão das grandes linhas de transmissão, mas também do fortalecimento da rede local de distribuição e das subestações.

Ele explica que essa estrutura é essencial para garantir que a energia chegue de forma adequada às regiões produtivas, independentemente da origem da geração. “Você precisa ter uma subestação que pegue a grande linha de transmissão, que vem de eólica, de solar, pode ser de outras usinas, não importa, e leve essa energia até a rede de distribuição”, afirma.

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