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Gigante dos eletrodomésticos fecha fábrica e corta 1.700 funcionários

Electrolux anuncia reestruturação bilionária e enfrenta pressão de concorrentes

Iarla Queiroz
Por
Fábrica da Electrolux
Fábrica da Electrolux - Foto: Electrolux/Divulgação

Uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo está promovendo uma profunda reestruturação para tentar recuperar fôlego em meio à queda das vendas, aumento dos custos e avanço da concorrência asiática. A Electrolux aprovou um pacote bilionário de medidas que inclui fechamento de fábrica, demissões em massa e captação de recursos para reorganizar operações em diferentes mercados.

A companhia sueca teve autorização dos acionistas para realizar uma emissão de ações avaliada em cerca de US$ 970 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,8 bilhões. O objetivo é reforçar o caixa da empresa e financiar mudanças consideradas estratégicas para os próximos anos.

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Fábrica será fechada e 1,7 mil empregos podem desaparecer

A situação mais delicada ocorre na Itália. Segundo sindicatos do setor metalúrgico, a Electrolux pretende eliminar cerca de 1,7 mil postos de trabalho no país, o que representa mais de 40% de sua força de trabalho local.

O plano também prevê o fechamento da unidade de Cerreto d’Esi, localizada próximo à cidade de Ancona, além de reduções em outras fábricas mantidas pela fabricante no território italiano.

Atualmente, a empresa possui cinco unidades industriais na Itália e emprega aproximadamente 4,5 mil trabalhadores no país.

A possibilidade de fechamento da planta e dos cortes em larga escala gerou forte reação das entidades sindicais, que cobram negociações e medidas para preservar os empregos.

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Captação bilionária tenta financiar recuperação

A emissão de ações aprovada pelos acionistas permitirá à Electrolux levantar cerca de 9 bilhões de coroas suecas.

Os recursos serão utilizados para financiar a reestruturação global da companhia e fortalecer uma parceria estratégica firmada com a fabricante chinesa Midea na América do Norte.

A operação também busca aliviar a pressão financeira enfrentada pela empresa após anos marcados por dificuldades operacionais, redução da demanda e aumento da concorrência.

Para garantir o sucesso da captação, instituições como Morgan Stanley, SEB e Deutsche Bank foram escolhidas para dar suporte à operação.

Concorrência asiática pressiona fabricantes tradicionais

A crise enfrentada pela Electrolux reflete um cenário mais amplo vivido pela indústria global de eletrodomésticos.

Nos últimos anos, fabricantes tradicionais passaram a enfrentar dificuldades para competir com marcas asiáticas que operam com estruturas de custo mais enxutas e conseguem oferecer produtos a preços mais agressivos.

Além disso, o enfraquecimento do consumo em importantes mercados internacionais reduziu a demanda por produtos da chamada linha branca.

A combinação desses fatores afetou diretamente os resultados da fabricante sueca.

Prejuízo substitui lucro em apenas um ano

Os números mais recentes ajudam a explicar a necessidade das mudanças.

No primeiro trimestre de 2026, a Electrolux registrou prejuízo operacional de 266 milhões de coroas suecas. No mesmo período do ano anterior, a empresa havia apresentado lucro operacional de 452 milhões de coroas.

Segundo a companhia, parte da deterioração dos resultados está ligada ao enfraquecimento da demanda nos Estados Unidos e ao aumento de custos tarifários no mercado norte-americano.

A parceria com a Midea surge justamente como uma tentativa de fortalecer a presença da empresa em uma região considerada estratégica.

Reestruturação também chegou à América Latina

As mudanças não ficaram restritas à Europa.

Em março deste ano, a Electrolux anunciou o encerramento das atividades produtivas de sua fábrica em Santiago, no Chile. A decisão integrou o mesmo processo de revisão global das operações.

A medida gerou uma despesa de reestruturação estimada em aproximadamente 0,5 bilhão de coroas suecas.

Apesar das movimentações em diferentes países, não há anúncio oficial de fechamento de unidades ou cortes relacionados às operações da empresa no Brasil.

Mercado reage com preocupação

A dimensão das medidas adotadas pela Electrolux também repercutiu entre investidores.

Após a divulgação do pacote de reestruturação, as ações da companhia chegaram a acumular queda de 24%, atingindo o menor patamar registrado em 17 anos.

Além dos 1,7 mil empregos citados pelos sindicatos italianos, as iniciativas anunciadas pela fabricante foram associadas a aproximadamente 3 mil postos de trabalho afetados globalmente.

Com a captação bilionária, a empresa tenta reorganizar sua estrutura industrial, recuperar rentabilidade e enfrentar um cenário cada vez mais competitivo no mercado internacional de eletrodomésticos.

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