ECONOMIA
Gigante dos supermercados demite mais de 6 mil pessoas em estados, incluindo a Bahia
Rede varejista promoveu milhares de demissões no Nordeste e Norte


O Grupo Mateus promoveu uma forte redução no número de funcionários e demitiu mais de 6,6 mil trabalhadores em estados do Nordeste e do Norte do país desde dezembro de 2025. Entre os estados atingidos pelos cortes está a Bahia.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico, com base no balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026 da companhia, o número de empregados caiu de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Sergipe e Pará.
A redução representa uma queda de 13,9% no quadro de pessoal da empresa.
Empresa fala em “ajustes operacionais”
Ao ser questionado sobre os desligamentos, o grupo afirmou que as demissões ocorreram por conta de “ajustes operacionais em toda a rede”. A companhia, no entanto, não detalhou quantos trabalhadores foram dispensados em cada estado.
Os dados do balanço ainda apontam que, na comparação com setembro de 2025, a redução de funcionários foi de 8,8%.
Apesar das demissões, o grupo informou que o plano de abertura de novas unidades segue mantido, inclusive no Ceará, onde atualmente existem 21 lojas da rede entre atacarejos, supermercados e unidades de conveniência.
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Dívidas e aumento das despesas pressionam empresa
A palavra mais repetida pela companhia durante a divulgação dos resultados financeiros foi “otimização”. A estratégia envolve reduzir despesas, enxugar estruturas internas e desacelerar a abertura de novas lojas enquanto a empresa tenta equilibrar as contas.
Mesmo registrando receita líquida de R$ 9,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado — o grupo viu as despesas operacionais dispararem.
Os gastos totais da empresa chegaram a R$ 1,6 bilhão nos três primeiros meses do ano, avanço de 29,3% na comparação com 2025.
Grupo aponta mudanças internas e busca por eficiência
No relatório financeiro, a empresa afirmou que iniciou medidas voltadas para produtividade e reorganização das operações. Segundo o grupo, os efeitos dessas ações começaram a aparecer com mais força em março de 2026.
A companhia explicou que os projetos analisaram operações antigas, contratos, formatos de lojas e fornecedores para identificar distorções e oportunidades de corte de custos.
Ainda conforme o balanço, parte do aumento das despesas também está ligada ao processo de integração com o pernambucano Novo Atacarejo, consolidado ao longo de 2025.
Expansão segue em meio aos cortes
Mesmo com a redução no número de funcionários e o ritmo menor de investimentos, o grupo afirma que os projetos de expansão continuam ativos.
Hoje, a empresa possui 612 lojas em funcionamento no país, sendo 228 voltadas para o varejo alimentar, principal segmento da companhia. Só no Ceará, são 21 unidades em operação e quatro lojas ainda em construção.


