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Ensino técnico abre horizonte profissional para os baianos

Novos campi de institutos federais anunciados para a Bahia geram expectativa no estado

Publicado quarta-feira, 20 de março de 2024 às 06:00 h | Autor: Lula Bonfim
Sede do IFBA em Salvador, no bairro do Canela
Sede do IFBA em Salvador, no bairro do Canela -

A Bahia deve ganhar, nos próximos anos, oito novos institutos federais (IFs). Especialistas em ensino técnico e em formação profissional, o IFBA e o IF Baiano serão ampliados novamente pelo governo federal, alimentando de esperança setores da população do estado que sonham com qualificação e empregos dignos.

Os municípios baianos que receberão as novas escolas técnicas são Itabuna, Macaúbas, Poções, Remanso, Ribeira do Pombal, Ruy Barbosa, Salvador e Santo Estêvão. No caso da capital baiana, há uma atuação do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para que o novo campus seja instalado na periferia da cidade, tendo citado especificamente os bairros de Cajazeiras e Castelo Branco, além da região do Subúrbio Ferroviário.

Mas, independentemente de onde forem instalados os novos campi, a expectativa é que eles ofereçam à população baiana novas oportunidades de uma formação profissional de qualidade, que dê um acesso mais direto ao mercado de trabalho.

Um dos exemplos dessa possibilidade é o operador de processos químicos da Braskem, Guilherme Oliveira, de 28 anos. Ele chegou ao campus de Simões Filho do IFBA em 2011, no curso de Petróleo e Gás, em um modelo integrado que previa a realização do Ensino Médio ao mesmo tempo do Ensino Técnico. Nessa modalidade, o instituto federal estabelece uma carga horária maior em matérias, além de um ano a mais para a formação.

Segundo Oliveira, a formação em uma escola técnica de qualidade, com bons professores, foi fundamental para sua carreira profissional, tendo sido o ponto de partida para que ele alcançasse sua atual profissão.

“Quando se fala de qualidade de ensino, eu não tenho realmente do que reclamar. Primeiro porque o corpo docente, para estar no IFBA, precisa ter uma qualificação a mais. Todos meus professores possuíam nível de mestrado para cima. A estrutura era muito boa também. Na época, a unidade que eu estudei tinha recebido uma reforma boa, tinham muitos laboratórios”, enumerou o operador ao Portal A TARDE.

“Se eu tenho meu emprego, é por minha formação [no IFBA]. Eu nem teria tido acesso a ele, na verdade”, disse Oliveira. “Utilizo boa parte das coisas que aprendi na parte técnica até hoje no trabalho”, complementou.

Guilherme participou de publicidade da empresa em que trabalha
Guilherme participou de publicidade da empresa em que trabalha |  Foto: Divulgação

Para além do ensino técnico que lhe deu a profissão, ele também aponta que o Ensino Médio que ele cursou no IFBA lhe deu base suficiente para ter sucesso em vestibulares. Com o que aprendeu no instituto federal, Oliveira chegou ao curso de Química, na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Guilherme, porém, pondera que falta ainda uma maior integração entre os institutos federais e as empresas do mercado de trabalho, para garantir que os alunos formados tenham oportunidade no setor em que estudaram.

“Os problemas, que eu vi muito, estão no apoio institucional para segmento de carreira. Poucos colegas meus seguiram carreira técnica. Foram poucos os que conseguiram estágio e seguiram a aplicação do curso técnico que fizeram. Muito, na minha visão, por conta da falta de parceria entre empresa e escola. Então tem uma instituição muito boa, com excelente estrutura e ensino, que não vejo retornar em mão de obra”, criticou.

Rede Estadual

Mas nem só de investimentos federais vive o ensino técnico na Bahia. Hoje, a chamada Rede Estadual de Educação Profissional e Tecnológica é composta por 33 Centros Territoriais de Educação Profissional, 38 Centros Estaduais de Educação Profissional, 22 anexos de Centros de Educação Profissional e 92 escolas de Ensino Médio que também ofertam cursos de formação técnica.

Presente em 121 municípios do estado, a rede baiana é considerada a segunda maior do país, atrás apenas de São Paulo. Segundo o superintendente de Educação Profissional da Bahia, Ezequiel Westphal, o movimento crescente do ensino técnico no estado se iniciou há cerca de 17 anos.

“As políticas de educação profissional e tecnológica no Estado vêm numa crescente desde 2007 e 2008. A rede estadual de educação pública é uma das maiores do Brasil, juntamente com Minas Gerais e São Paulo. E isso caracteriza o fortalecimento da política pública do governo do estado integrado à educação básica”, analisou Westphal ao Portal A TARDE.

O superintendente comemorou a chegada dos oito novos campi de IFs na Bahia, promovidos pelo Ministério da Educação (MEC), e avaliou que o investimento em ensino profissional influencia em todos os setores da sociedade.

“A Educação profissional permite uma política integrada com as demais políticas de desenvolvimento do estado. Quando se tem ampliação do número de professores, de cursos, de municípios, está tudo integrado em um projeto de governo. Então eu avalio como uma política fundamental, que não caminha sozinha”, opinou.

Ezequiel Westphal falou com exclusividade ao portal A TARDE
Ezequiel Westphal falou com exclusividade ao portal A TARDE |  Foto: Divulgação | SEC

Westphal lembrou ainda das fábricas-escolas, unidades que fundem a formação profissional com a própria produção, sempre ligadas às características culturais do local em que elas estão instaladas.

“São uma forma de inserção e de aproximação com as comunidades em que elas estão inseridas. Nessa relação, as lideranças da comunidade trazem sua experiência e seu conhecimento em relação a algum processo produtivo, como o cacau ou a construção civil. E essa troca de saberes entre a escola e a comunidade resulta no desenvolvimento de produtos”, contou Westphal

Como exemplo, o superintendente da área lembrou do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Nelson Schaun, em Ilhéus, que, em uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), proporciona o ingresso de alunos na produção de cacau e de chocolate.

“Às vezes, a comunidade não tem maquinários, não tem orientação, e a escola-fábrica pode oferecer isso. E os escritórios criativos, que funcionam também como incubadoras de ideias. As coisas são pensadas, o desenvolvimento das tecnologias sociais é pensado dentro desses escritórios criativos, que é uma marca que passamos a ter”, acrescentou o superintendente.

Na avaliação de Westphal, o avanço na área do ensino técnico na Bahia ocorre de forma gradual, mas os resultados alcançados até o momento já são capazes de orgulhar a população.

“A Educação Profissional tem uma estrutura consolidada. E isso acontece como uma política sistêmica no estado, que vai contemplando os estudantes. Nos últimos anos, temos mandado alunos para o exterior, estimulando trabalhos. E as coisas têm caminhado de forma satisfatória. Nos deixa orgulhosos”, concluiu.

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