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Fórum debate importância da relação entre educação e inovação na Bahia

Evento desta segunda-feira, 29, teve presença da titular da SEC e do presidente do CNE

Publicado segunda-feira, 29 de maio de 2023 às 18:19 h | Atualizado em 30/05/2023, 16:47 | Autor: Rafaela Souza
Evento aconteceu nesta segunda-feira, 29, no auditório da Fieb
Evento aconteceu nesta segunda-feira, 29, no auditório da Fieb -

Tendo em vista a relevância da educação para o desenvolvimento da inovação na Bahia, a Associação Cultural Brasil Estados Unidos (Acbeu), em parceria com a Rede WWI- especializada em pesquisas de sustentabilidade, promoveram o I Fórum ODS/ESG- Inovando na Educação nesta segunda-feira, 29, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador.

Com uma programação voltada para palestras temáticas, o evento contou com a participação da secretária de Educação da Bahia, Adélia Pinheiro; do presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Liza Curi;  do ex-senador da República e Relações Corporativas e Governamentais no Senai-Cimatec, Walter Pinheiro; do diretor executivo da Acbeu, Durval Olivieri; do superintendente da Acbeu, Ticiano Cortizo; e do diretor da WWI-Worldwatch Institute, Eduardo Athayde.

Entre os destaques do fórum estão a adoção da plataforma dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que consiste em um conjunto de ações proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU), além da dimensão da Governança Socioeconômica e Ambiental (ESG) na educação, incentivando redes de cooperação entre municípios, governos, empresas, academia, organismos internacionais e profissionais inovadores. O evento também teve apoio do Senai-Cimatec e do governo do Estado da Bahia.

Em entrevista ao Portal A TARDE, o presidente executivo da Acbeu, Durval Olivieri, afirmou que 'não é possível ter inovação sem pensar na educação'. Ele explica que o evento é mais uma iniciativa para promover o conhecimento acerca de temas atuais e relevantes para a sociedade.

"A inovação é uma palavra que compreende muita coisa, mas uma coisa que ela não compreende é a não aplicação prática. Então, nós estamos aqui praticando a inovação, porque quando a gente pratica o processo de desenvolvimento para a inovação ele pressupõe capacitação, capacitação pressupõe formação, formação pressupõe educação básica, inclusiva. Se nós não tivermos uma base de educação, nós não podemos pensar em inovação", enfatizou.

Diretor do WWI-Worldwatch Institute, Eduardo Athayde, e o presidente executivo da Acbeu, Durval Olivieri
Diretor do WWI-Worldwatch Institute, Eduardo Athayde, e o presidente executivo da Acbeu, Durval Olivieri |  Foto: Rafaela Souza | Ag. A TARDE
  

ESG na prática

De acordo com o diretor do WWI-Worldwatch Institute, Eduardo Athayde, pensar em ESG é crucial para entendermos o mundo em que vivemos. A sigla em inglês significa environmental, social and governance, e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização. 

A partir disso, ele explica que a sustentabilidade é uma preocupação crescente do mercado financeiro com base nas análises de riscos e nas decisões de investimentos. Além disso, a questão é fundamental para o entendimento e valorização do potencial de produção de cada município, por exemplo.

“Nós vivemos em uma era de muitas mudanças e precisamos nos reinterpretar no mundo em que vivemos. Por isso, os espaços baianos onde estamos, por exemplo, precisam ser levados para o entendimento e pertencimento em sala de aula. A Bahia é o único estado do brasil que tem cinco biomas distintos e, na visão municipalista, onde estamos trabalhando as crianças, as escolas, as empresas daqueles biomas precisam entender e interpretar o potencial deles, como o cerrado, semi-árido, mata atlântica, costeiro e marinho. Os municípios envolvidos nesse bioma precisam entender o potencial da dimensão da sustentabilidade e ensinar nas salas de aulas, entender o que esses ativos representam e com o que eles conversam com o resto do mundo”, enfatizou.

Modernização

Para a titular da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Adélia Pinheiro, a iniciativa é fundamental para dialogar com diversos setores e entender o processo de maneira coletiva.

"O fórum se destina a dialogar com diversos setores sobre as ODS e também contemplar a governança, sustentabilidade ambiental e social, que é a ESG. Então, o evento se dedica dessa forma para que tudo isso seja construído coletivamente em todas as redes, inclusive na rede pública de educação", afirmou.

Quanto à rede pública de ensino, a secretária ressaltou que a inovação vem sendo priorizada nas ações desenvolvidas pelo governo através da pasta.

"Estamos alinhados com a meta de garantir uma educação de qualidade.  Temos redimensionamento das nossas redes, construindo novas unidades que são referências nas estruturas, modernizando escolas já existentes. Só em 2023 já inauguramos 16 novas escolas e 3 com ampliação e modernização", frisou.

Secretaria de Educação da Bahia, Adélia Pinheiro
Secretaria de Educação da Bahia, Adélia Pinheiro |  Foto: Rafaela Souza | Ag. A TARDE
  

Além da atuação voltada à modernização das unidades escolares, a secretária reiterou a importância de promover o acesso da população para que a inovação seja efetiva. Ela ainda explicou que as iniciativas devem estar comprometidas em garantir a permanência estudantil, como os programas Bolsa Presença e Dignidade Menstrual.

Inclusão

O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Liza Curi, defendeu que a inovação deve ser acessível e inclusiva por meio da relação com a educação. 

“Inovar na educação é tornar a inovação mais presente na sociedade. É tornar um fator mais estratégico de desenvolvimento econômico de inclusão social. É também entender que a inovação é o mais potente instrumento de combate a desigualdade. A educação existe para que de fato o país cresça, a competitividade aumente, a desigualdade seja combatida e a cultura prevaleça", ressaltou.

Além disso, o professor enfatizou a necessidade do dinamismo que torne a governança mais ampla, principalmente no combate às desigualdades no país.

Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Liza Curi
Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Roberto Liza Curi |  Foto: Rafaela Souza | Ag. A TARDE
  

“É uma relação importante porque se você não tiver uma dimensão mais ampla, socioambiental que atribua a governança um aspecto dinâmico e inclusivo em todos os aspectos da sociedade. Isso é tudo que a educação precisa ter, receber e ofertar. Educar as pessoas para o aprendizado é educar futuros líderes empresariais. Porque as empresas têm interesses diversos e um deles é com compromisso social e ambiental. As empresas devem ser também não só instrumentos de empregabilidade, mas que vise o combate à desigualdade, a ampliação dos espaços para quem historicamente no Brasil teve poucas oportunidades”, pontuou.

Com caráter itinerante, o fórum e vai percorrer diversos municípios baianos. A próxima edição acontecerá em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, no dia 13 de julho.

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