IBEM 26
Celso Rodrigues revela próximos passos da energia na Bahia: “O futuro passa por aqui”
Estado encerra iBEM com foco em bioenergia e investimentos de larga escala

Por Andrêzza Moura e Bianca Carneiro
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O último dia do International Brazil Energy Meeting (iBEM) foi marcado pela análise prospectiva da infraestrutura baiana frente aos desafios da geopolítica mundial e da transição energética. Segundo Celso Rodrigues, Superintendente da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), o cenário global de insegurança energética reforça a vocação natural do Brasil e, especificamente, da Bahia.
“O governo federal tem essa pauta comum aqui no Brasil, que é a pauta da transição energética. Nós hoje estamos vivendo no mundo em função das questões de geopolítica global e questões de segurança energética. Vemos o caso da guerra no Oriente Médio, onde a questão da energia é crucial a partir da logística de escoamento de petróleo”, analisou Rodrigues.
Para o superintendente, o estado sai na frente por já possuir uma matriz extremamente diversificada: “O estado tem uma vocação natural para a produção de energia a partir de fontes renováveis, como o sol, o vento, a biomassa e a parte hídrica. Todas elas são importantes na locação da matriz da Bahia, que já é 96% renovável. Com esse estudo profundo em relação à bioenergia, essa fonte tem tudo para atrair investimentos de grande porte e também políticas públicas para pequenos produtores”.
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O mapa da mina: Atlas de Bioenergia
A grande aposta do momento é o Atlas de Bioenergia do Estado da Bahia, lançado na quarta-feira, 25, no evento. O guia identifica regiões com maior vocação para a produção de biomassa, como o Oeste baiano, impulsionado pela atividade agrícola, e o Extremo Sul, com potencial associado à indústria de celulose. O estudo também incorpora novas culturas, como a macaúba e o agave, ampliando as possibilidades de diversificação da matriz energética.
Rodrigues detalhou a abrangência do novo estudo: “Esse mapeamento foi feito em todos os 417 municípios, identificando fontes de energia a partir da biomassa e seus derivados. Foi feito o mapeamento de resíduos sólidos urbanos, de esgotamento sanitário, de dejetos animais, de resíduos agrícolas, principalmente na fronteira do Oeste, da biomassa florestal no Extremo Sul (a partir dos plantios de eucalipto para celulose) e do setor sucroenergético”.
De resíduos a hidrogênio de baixo carbono
A estratégia da Seinfra não visa apenas a identificação, mas a transformação desses ativos em produtos de alto valor agregado. Segundo o superintendente, a visão espacializada da Bahia permitirá a atração de investimentos para a geração de energia elétrica, biogás, biometano e até hidrogênio de baixo carbono, por meio da reforma a vapor do biometano.
O impacto já é visível em projetos de larga escala. “Essa característica de cada município certamente será um fator de atração para investimentos em biorrefino, como é o caso dos projetos no Oeste da Bahia, da Capitá, da Empasa e do projeto de produção de energia líquida a partir da macaúba, que é o que a Acelen está desenvolvendo já em larga escala”, pontuou.
Fortalecimento da Agricultura Familiar
Além dos grandes players industriais, Rodrigues ressaltou o papel social da nova infraestrutura. A meta é utilizar a tecnologia para beneficiar médias e pequenas propriedades rurais.
“Sabemos que a quantidade de rebanhos de bovinos em atividades e a agricultura familiar são muito grandes e haverá toda essa necessidade de interlocução para a alocação de biodigestores aqui no estado”, concluiu o superintendente.
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